A desigualdade social começa na primeira infância

Não existem mais dúvidas de que investir nos primeiros anos de vida traz benefícios a toda sociedade. Neste post, vamos discutir que benefícios são estes e por que priorizar políticas públicas, neste caso voltadas à educação infantil, é tão essencial.

Matéria recentemente publicada pela Folha de SPaulo traz a conclusão de um estudo do Nobel de Economia, James Hackman, em que ele diz que cada dólar investido na pré-escola pode se multiplicar por sete. A análise foi feita com base em dois programas sociais dos EUA.

Já se sabe, também, pelas evidências científicas, que oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento infantil, em todos os aspectos, é mais eficaz e menos custoso do que tentar reverter os efeitos das adversidades vivenciadas na primeira infância na fase da adolescência e adulta.

Cuidar dos primeiros anos de vida não beneficia apenas crianças de famílias de baixa renda, mas, sim, a sociedade toda, com mais saúde e empregabilidade na vida adulta, menor envolvimento com crimes, drogas e violência, dentre outros aspectos que influenciam o bem-estar da população como um todo.

O artigo, da colunista Érica Fraga, na Folha, sugere que o Brasil precisa rever a distribuição do investimento público que, atualmente, destina quase o dobro dos recursos dedicados à educação infantil (como proporção do Produto Interno Bruto) ao ensino superior.

Os primeiros anos de vida são foco de muitas pesquisas e de formulação de políticas públicas em todo o mundo, justamente por ser uma etapa crítica à aprendizagem.

Nesse período, se dá o desenvolvimento de habilidades e capacidades fundamentais para a aquisição de novos conhecimentos ao longo da vida e, também, para construir um bom capital humano, ou seja, o conjunto de características individuais que, aliadas ao contexto onde a pessoa vive, determina o nível de bem-estar nas diferentes dimensões (salário, vida profissional, longevidade, estabilidade familiar, dentre outros). Por isso, a educação infantil tem recebido muita atenção dos especialistas mundiais e precisa ser prioridade em nosso país.

O que a ciência também indica é que frequentar creches e pré-escola de qualidade faz toda a diferença no desenvolvimento infantil, deixando boas marcas para a vida futura.

Por isso, melhorar a aprendizagem (a capacidade de aprender) e o aprendizado (o conteúdo a ser aprendido) tem de ser foco de atenção das políticas públicas de primeira infância, pensando-se também nas famílias e nos adultos de referência, e de educação infantil para que, no médio e longo prazo, tenhamos, como nação, um capital humano mais qualificado, capaz de contribuir ao desenvolvimento humano e econômico do País.

Fonte: O impacto do Desenvolvimento na Primeira Infância Sobre a Aprendizagem, Estudo 1, Comitê Científico Núcleo Ciência Pela Infância.

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