Aprendizagem cooperativa: estratégia para a inclusão na educação infantil

A vinda de famílias de outras países para o Brasil tem formado um contingente de crianças estrangeiras nas escolas, desde a educação infantil. Esse fenômeno precisa ser pensado, assim como a heterogeneidade das salas de aula. Como incluir todas as crianças, promovendo seu desenvolvimento?

Uma matéria no jornal O Estado de S. Paulo relata que um menino congolês de uma escola pública em São Paulo não obedecia ordens da professora e escondia-se embaixo da carteira, na sala de aula. Por isso, a direção pediu uma avaliação na Unidade Básica de Saúde do bairro dizendo que ele tinha comportamento autista. A profissional do posto que recebeu o caso conhecia a família do garoto e achou estranho o pré-diagnóstico porque havia interagido com o menino, sem problemas. Este e outros casos foram relatados, com as mesmas indicações. No fim, a dificuldade dessas crianças era o desconhecimento da Língua Portuguesa. A falta de percepção dos educadores sobre esse obstáculo também mereceu a atenção da mídia.

Embora em uma sala de aula a diversidade exija maior empenho dos professores para contemplar os diferentes perfis de alunos, ela também pode ser uma estratégia importante de fortalecimento da educação cognitiva e das competências socioemocionais das crianças.

Pelo menos é assim que pensa Rachel A. Lotan, coordenadora do Programa de Formação de Professores da Universidade de Stanford, EUA, responsável por um forte trabalho direcionado à diversidade e equidade na educação.

Para ela, alunos imigrantes precisam aprender o conteúdo curricular e a língua ao mesmo tempo, o que é um grande desafio. Por isso, propõe uma solução que considera tão simples como eficaz: aprendizagem cooperativa, que nada mais é do que os trabalhos em grupo. Segundo Rachel, essa metodologia permite a crianças a aprendizagem horizontal, ou seja, com seus pares.

Para isso, é importante criar mecanismos que facilitem a interação e assegurem que essas crianças também se envolvam e tenham iniciativa. A especialista não acredita no método de mostrar pontualmente os objetos, dizendo, por exemplo, “isto é uma mesa”. Para ela, juntar as crianças para fazer uma atividade em conjunto é bem mais eficiente.

No entanto, esse método não se restringe à situação de inclusão de alunos estrangeiros. A heterogeneidade é um fenômeno permanente nas salas de aula, composta por crianças de diferentes realidades socioeconômicas e culturais.

O professor precisa também ter uma postura positiva diante desse fato, abrindo oportunidades e procurando conhecer ao máximo os seus alunos.

Outro benefício que a atuação em grupo traz é o de ouvir atentamente o que os outros têm a dizer. A prática da democracia é respeitar o objetivo comum que une esses alunos, as escolas e as famílias, ou seja, contribuir ao bem-estar da sociedade, um exercício que acontece, principalmente, em grupos e, por isso, deve ser uma prática prevista nas políticas públicas e na formação de professores de educação infantil para que cada criança tenha o direito de aprender, ser ouvida e falar o que pensa.

Para conferir a entrevista completa sobre o tema, que Rachel A. Lotan concedeu à revista Carta Educação, clique aqui.

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