Como andam as competências socioemocionais dos pequenos?

No Brasil ainda não se fala muito no assunto, mas, em outros países, como os EUA, ajudar a criança pequena a desenvolver habilidades para que possa lidar melhor com as situações ou pessoas tem ganhado espaço nas escolas infantis. Para você, que é educador ou cuidador, esta matéria da revista Cláudia é interessante porque o ajudará a refletir sobre seu papel na creche ou pré-escola.

Os que defendem a ideia de se trabalhar as chamadas competências socioemocionais na escola afirmam que é preciso evidenciar e fortalecer a inteligência emocional do indivíduo para que favoreça seu sucesso nas relações com seus pares. Além disso, ressaltam que tê-la desenvolvida ajuda a melhorar o desempenho escolar.

Para esses especialistas existem métodos que, de fato, contribuem à consciência sobre as próprias emoções e as dos outros, mas, para que deem certo na escola, eles precisam estar integrados às outras atividades desenvolvidas pelos alunos.

Nos EUA, trabalhar com as competências socioemocionais tem sido uma maneira de tentar diminuir a incidência de violência, drogas, bullying e o suicídio infanto-juvenil.

Lino de Macedo, professor de psicologia escolar e do desenvolvimento da Universidade de São Paulo (USP), que concedeu entrevista à revista, afirmou que “(…) é fundamental ter clareza de que há razões inconscientes e hereditárias envolvidas nisso. Os pais devem observar como manejam as próprias emoções porque as crianças pequenas agem por imitação”.

Isso significa que trabalhar as competências socioemocionais na escola não trarão muitos resultados se, em casa, a criança vivenciar valores opostos com os adultos.

Com relação ao aprendizado, estudos têm mostrado que aspectos emocionais, como autoconfiança e força de vontade, são tão ou mais importantes para o aprendizado do que as capacidades cognitivas como atenção, memória e organização.

Alguns especialistas também acreditam que desenvolver a inteligência socioemocional pode ajudar a criar caminhos neurológicos para que as crianças se recuperem mais rapidamente de experiências negativas, já que estimulam o córtex pré-frontal, área do cérebro responsável por planejamento, pensamentos complexos e modulação do comportamento.

Mas, o que a escola tem a ver com isso? Para os pesquisadores que trabalham com o assunto, o envolvimento dos educadores nesse processo de desenvolvimento das competências socioemocionais é muito importante, já que é na creche, na pré-escola e nos demais espaços educativos que se dão as primeiras experiências sociais.

“Uma criança confiante, bem-aceita e valorizada certamente estará mais desperta para o aprendizado. Entenderá, por exemplo, que errar faz parte da vida e aprenderá como agir diante de uma dificuldade. Saberá decidir se vai empacar, persistir ou se esforçar. Mas criar momentos específicos para tratar disso me parece artificial. Eu acredito que a inteligência emocional é transmitida por meio de atitudes e exemplos”, avalia a psicanalista Claudia Monti Schönberger, coordenadora de equipe clínica do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo, uma das entrevistadas pela revista.

 

 

Comments

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  1. avatar

    Realmente trabalho com crianças de 0 a 6 anos e este tema deveria sim ser abordado nas escolas.

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