Como fortalecer a autorregulação da criança?

A autorregulação é muito importante não só para o bem-estar do indivíduo como aos que com ele convivem. Consequentemente, pessoas que sabem controlar e nominar suas emoções contribuem a uma sociedade mais saudável e empática. Mas como ajudar a fortalecer a autorregulação, desde os primeiros anos de vida?

A primeira infância é terreno fértil para a construção de comportamentos e valores, como já falamos muitas vezes neste blog. Nessa fase da vida, o cérebro está pronto para absorver conhecimentos, aprendizados, referências… Nos primeiros anos, oportunizar formas de a criança se conhecer e estabelecer relações com ela mesma, com o outro e o mundo à volta, aprendendo a mediar suas emoções, fará toda diferença na vida adulta.

Mas onde começa esse aprendizado? Na família, independentemente de sua configuração.
Pais e adultos de referência desempenham um papel essencial no processo de autorregulação da criança, ou seja, no desenvolvimento de habilidades de monitorar e modular a emoção, a cognição e o comportamento. Tudo para que a criança consiga vivenciar diferentes situações de forma equilibrada e saudável.

Os especialistas entendem que existem quatro níveis de regulação humana:
Fisiológica – relacionada ao último período fetal do bebê. São mudanças e controles que se dão ainda no feto.
Emocional – acontece no primeiro ano de vida, quando o bebê reage às interferências externas. A maneira como vivencia e vence o estresse e a frustração.
De atenção – se dá durante o segundo ano de vida, quando a criança passa por um amadurecimento na forma como percebe e se atém às coisas e aos acontecimentos, guardando informações na memória.
Autorregulação – acontece durante os anos pré-escolares, quando a criança desenvolve seu comportamento, as formas de se adaptar a diferentes situações e as funções executivas (clique aqui e leia sobre essas funções).

Pais e familiares precisam receber apoio para que possam contribuir positivamente a essa fase de seus filhos. Caso contrário, adultos inseguros, dependentes, agressivos, inconsequentes podem prevalecer em nossa sociedade.

Por exemplo, os adultos precisam ter clareza de que autoritarismo, permissividade e negligência são inadequados nesse processo de formação da criança que, na verdade, precisa de disciplina e comando, balanceados com carinho, atenção positiva, encorajamento, elogios e sensibilidade às suas necessidades.

Programas e políticas públicas, que possam apoiar os pais nesse sentido, levam a ótimos avanços no processo de construção da autorregulação na primeira infância.

No Brasil, uma iniciativa bem-sucedida é o Projeto Parceria, um programa que apoia mães que sofreram violência doméstica. A ideia é mostrar a essas mulheres práticas efetivas que ajudem a criar seus filhos para que tenha comportamentos positivos, apesar da experiência de violência conjugal que vivenciaram na infância.

No geral, programas sociais de educação parental precisam levar em conta:

  • As normas do contexto em que essas famílias estão inseridas
  • A importância do envolvimento das pessoas da comunidade
  • A diversidade dos pais e adultos de referência
  • Uma gama de métodos para atender as necessidades de diferentes famílias e crianças
  • A promoção do empoderamento e da autoconfiança dos pais

 

Você conhece algum programa que contemple esses tópicos e promova a parentalidade positiva, ajudando a desenvolver a autorregulação da criança? Compartilhe aqui!

Fonte: Fundamentos da Família como Promotora do Desenvolvimento Infantil – Parentalidade em Foco, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (páginas 70 a 82)

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