#CrecheMelhor – Como superar as desvantagens das creches do seu município?

No terceiro texto desta série, vamos analisar a opinião das famílias sobre o que consideram pontos negativos para colocar seus filhos na creche, com base na pesquisa “Primeiríssima infância Creche – Necessidades e Interesses de Famílias e Crianças”. O que é preciso fazer para mudar esses aspectos?

No segundo artigo da série, #CrecheMelhor – Será que as creches da sua cidade apoiam o desenvolvimento das crianças?, abordamos os pontos positivos, atribuídos por pais e responsáveis, servindo como base para que gestores públicos aprimorem a rede de creches de seus municípios. Neste texto, falaremos dos negativos. Uma das maiores preocupações das famílias é a falta de atenção individual que seus filhos recebem, fato que se refletiu na pesquisa como sendo a principal desvantagem desses espaços educativos (35% dos respondentes).

Para o educador Vital Didonet, um dos especialistas que analisaram os resultados do estudo, essa visão denota a falta de clareza das famílias sobre a dinâmica de funcionamento da creche: “Acostumados a conviver com uma ou duas crianças, os pais têm uma forma de relacionamento com elas que na creche não é possível. Mas, é possível, sim, que a creche dê atenção individualizada. Vejo muita professora sentada em rodinhas carregando no colo as crianças que estão aborrecidas ou chorando. Grande parte dessa percepção e de outras preocupações dos pais se alteraria se a escola fosse mais aberta para a família.” Ou seja, investir em ações que promovam a integração entre família e creche é essencial e responsabilidade do gestor da pasta.

A segunda desvantagem levantada pelos pais está relacionada à saúde: as crianças adoecem com mais frequência quando estão na creche (35%). “Se a creche tiver uma relação mais estreita com a área de saúde, esse problema é minimizado”, afirma Anna Chiesa, enfermeira e especialista em primeira infância. Anna lembra que quando as creches estavam ligadas à assistência social, profissionais da saúde ficavam nelas. Por isso, a enfermeira acredita que além de um contato mais direto com as Unidades Básicas de Saúde (UBS), as creches deveriam ter um profissional de saúde presente no dia a dia, “com visão de como manejar a menor contaminação.”

Também aqui o papel do prefeito e secretário de educação em criar estratégias que favoreçam a intersetorialidade e otimização de recursos é fundamental. Integrar saúde e educação pode, sim, melhorar a qualidade da creche e, consequentemente, da saúde das crianças. A Assistência Social também precisa ser envolvida, dando apoio e subsídios às famílias em situação de vulnerabilidade, criando-se uma tríade de cuidados e acolhimento.

Outra questão que aparece na pesquisa, desta vez em quinto lugar entre as desvantagens, com 21% de citações, é o horário de funcionamento da creche, nem sempre compatível com o turno de trabalho de pais e responsáveis.

Em síntese, gestores públicos municipais, responsáveis pela oferta de creche nas suas cidades, tem de conhecer a realidade das famílias locais que precisam ou desejam deixar seus filhos nesses espaços, para atender ao que é mais crítico e potencializar o que tem dado certo.

No próximo artigo da série, vamos responder juntos a esta questão: o que não pode faltar numa #CrecheMelhor?

Aproveite para ler ou reler os dois artigos publicados no blog, que também compõem esta série:

Tem idade certa para frequentar a creche?

Será que as creches da sua cidade apoiam o desenvolvimento da criança?

Para conhecer a pesquisa na íntegra, é só clicar aqui! 

Confira a página Desenvolvimento Infantil, da Fundação Maria Cecilia, no canal do Youtube. Acesse, assine o canal e compartilhe o que é preciso saber sobre a primeira infância.

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