#CrecheMelhor – Quais vantagens as creches da sua cidade oferecem às crianças e suas famílias?

Com este segundo texto, damos continuidade à série que aborda um tema essencial para o desenvolvimento infantil: a qualidade das creches oferecidas para crianças de zero a três anos. No artigo de hoje, vamos refletir sobre o que as famílias observam como vantagens de ter seus filhos frequentando esse espaço educativo. Olhar para tais pontos pode influenciar positivamente as decisões de gestores públicos na elaboração de políticas e primeira infância.

Quando perguntados quais seriam os pontos positivos de a criança frequentar a creche, como parte da pesquisa “Primeiríssima infância Creche – Necessidades e Interesses de Famílias e Crianças”, os três aspectos mais citados pelos pais ou responsáveis foram:
• convívio com outras crianças (52%)
• acompanhamento de profissionais especializados (47%)
• acesso a atividades diversas (46%)

Para a enfermeira Anna Chiesa, participante do grupo de especialistas que analisou os resultados da pesquisa, o primeiro item talvez demonstre certa falta de clareza dos familiares sobre o sentido da creche: “É estranho que na faixa de zero a três anos a vantagem mais percebida seja a da convivência com outras crianças. Como regra, sabe-se que essa não é uma necessidade da criança até os dois anos.”

Com relação ao segundo item, a análise dos especialistas mostra, por um lado, ser uma percepção positiva, porque os pais reconhecem a importância de o profissional ter uma formação adequada. Por outro lado, também questionam se essa valorização acentuada não estaria, de alguma forma, colocando nas mãos do profissional responsabilidades que precisam ser compartilhadas entre família e escola. Por isso, criar estratégias de aproximação entre as duas instituições não só trará benefícios à criança, mas, também, ampliará o mútuo conhecimento: a creche vais saber mais sobre a realidade das famílias e as famílias conhecerão melhor o papel e potencial da creche para o bom desenvolvimento de seus filhos.

De qualquer forma, gestores municipais e formuladores de políticas públicas de primeira infância precisam colocar o tema capacitação dentre as prioridades da educação infantil, inclusive para que os profissionais sejam devidamente preparados, contribuindo a essa aproximação integrada e participativa.

“A formação tem de ser um pouco diferente daquela que é acadêmica ou só intelectual”, recomenda o especialista Vital Didonet. “Estudar ajuda, conhecimento é importante, mas é fundamental que a atuação do professor seja acompanhada de uma visão humanista das relações”, explica.

Para Claudia Costin, o pulo do gato está em aplicar o que já acontece com professores de outras etapas da educação básica: “(…) dedicar um terço do tempo dos professores para o estudo a partir da prática.”

Para que tudo isso aconteça, prefeitos e secretários de educação municipais têm a responsabilidade de garantir essa formação em serviço e a continuada, um investimento que, se bem feito, certamente trará mais qualidade ao serviço oferecido pela rede de creches do município.

No próximo artigo da série, vamos falar sobre as desvantagens de colocar a criança na creche, segundo a visão das famílias. Enquanto isso, aproveite para ler ou reler o primeiro artigo da série #CrecheMelhor: tem idade certa para frequentar a creche?

Se quiser conhecer a pesquisa “Primeiríssima infância Creche – Necessidades e Interesses de Famílias e Crianças”, é só clicar aqui.

Confira a página Desenvolvimento Infantil, da Fundação Maria Cecilia, no canal do Youtube. Acesse, assine o canal e compartilhe o que é preciso saber sobre a primeira infância.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*