Entrevista – A primeira infância ganhou voz, mas pode avançar “ao infinito e além”!

Eduardo Queiroz, diretor-presidente da Fundação Maria Cecilia, é pai de Nicholas e Joaquim e um defensor incansável da primeira infância. Ele acredita que os primeiros anos de vida devem ser foco de ações e políticas públicas de cidades, estados e do País. Nesta entrevista, Eduardo compartilha o que a Fundação realizou em 2016 e como planeja suas ações para este e os próximos anos. Confira!

Fundação Maria Cecilia – Eduardo, de que forma 2016 se refletiu na primeira infância?
Eduardo Queiroz – O ano passado foi bastante emblemático para a primeira infância. A sanção do Marco Legal, em março, “carimbou” a responsabilidade que temos sobre os primeiros anos de vida – tanto o Estado, como toda a sociedade -, fortalecendo e qualificando os direitos da criança. Esse foi só o começo de um ano revelador.

FMC – A Fundação tem o propósito de envolver lideranças, formadores de opinião e gestores públicos na causa para ampliar não só o debate como as iniciativas em favor do desenvolvimento infantil. No ano passado, o que foi feito nesse sentido?
EQ – Tivemos várias iniciativas, mas destaco duas delas, do Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), do qual fazemos parte. A primeira foi o Programa de Liderança Executiva, realizado em Harvard, que, mais uma vez, colocou 46 líderes brasileiros em contato com as descobertas da ciência para que estas norteiem a concretização de boas práticas, ou mesmo – e muito importante –, apoiem a disseminação da causa pelo País. A segunda foi o VI Simpósio Internacional para o Desenvolvimento da Primeira Infância, que aconteceu fora de São Paulo, desta vez em Recife (PE). A sexta edição trouxe como tema “Primeira Infância: prioridade absoluta”, reunindo 492 participantes presenciais e mais de mil online, dentre gestores públicos, pesquisadores e profissionais das áreas de saúde, educação e desenvolvimento social. Convidamos especialistas nacionais e internacionais para debater estratégias que coloquem a primeira infância no centro da formulação e da implementação de políticas públicas, de programas e ações da sociedade.

FMC – Qual outro grande evento marcou o ano e a primeira infância?
EQ – Sem dúvida, o lançamento do documentário “O Começo da Vida”. Tínhamos o sonho antigo de encontrar uma maneira eficiente de comunicar a importância dos primeiros anos à sociedade de uma maneira que marcasse, emocionasse, causasse compaixão, mas, sobretudo, trouxesse o tema à consciência e, com ele, o sentido de corresponsabilidade. Conseguimos! Os resultados foram além de nossas expectativas! Impactamos milhares de pessoas no mundo todo. Graças a parceiros sensacionais, como Instituto Alana, Fundação Bernard van Leer e UNICEF, viabilizamos a dublagem do filme em 7 idiomas, legendando-o em 23. O filme foi exibido em mais de 70 países, só no ano passado. Além disso, outros produtos, originados do documentário, têm servido como material de capacitação e sensibilização para diferentes públicos, como a série em seis capítulos, os spots para rádio, as pílulas, os infográficos… Tudo disponível no site de “O Começo da Vida”.

FMC – Além do filme, de que maneira a sociedade teve mais contato com a causa, em 2016?
EQ – Creio que por meio da imprensa, atualmente muito mais atenta ao tema. Observamos o crescimento de 45% em matérias sobre primeira infância de 2015 para 2016. Vale destacar algumas iniciativas importantes na mídia: a matéria de capa da revista Exame, que abordou a Educação Infantil e apresentou o exemplo de um programa de visitação domiciliar em São Paulo, além de uma edição inteira do programa Bem-Estar, da Rede Globo, falando sobre desenvolvimento infantil. O mais bacana é que as duas iniciativas partiram de ex-alunos do Programa de Liderança Executiva, que citei no começo da entrevista. Ou seja, a causa está, realmente, ganhando voz.

FMC – O ano passado também foi marcado pelas eleições municipais. A Fundação teve alguma iniciativa de conscientização para que a primeira infância estivesse no centro dos programas de governo dos gestores?
EQ – Nós apoiamos três inciativas significativas, que focavam nesse objetivo: a campanha “Criança é prioridade”, realizada pela Rede Nacional Primeira Infância (RNPI), a “Agenda Prioritária para a Primeira Infância”, organizada pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e as ações da Raps – Rede de Ação Política pela Sustentabilidade. Todas com estratégias para envolver e sensibilizar os candidatos às prefeituras e câmaras de vereadores sobre a importância de se investir nos primeiros anos de vida para desenvolver melhor a sociedade.

FMC – O que a Fundação planeja fazer nos próximos anos pela primeira infância?
EQ – A Fundação completou 50 anos em 2015, chegando a uma maturidade que nos faz mais compromissados com a causa e, ao mesmo tempo, nos mostra o quanto ainda temos de crescer como instituição para alcançar novos resultados pela primeira infância. Temos um planejamento estratégico pensado até 2021 que, dentre outras metas, nos coloca como desafio fomentar políticas públicas de atenção às famílias; atuar pela qualidade da educação infantil; divulgar a causa para as classes C e D por intermédio de reeditores que falam diretamente com esse público. Para avançar em tudo isso, além de parcerias com outras organizações, com o poder público e com pessoas que compartilhem da mesma visão, teremos de nos preparar internamente para contribuir e participar de importantes conquistas em favor da criança.

Leia mais

Relatório de Atividades da Fundação Maria Cecilia – 2016

 

Comments

1
  1. avatar

    queria fazer meu relato também.

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