ENTREVISTA – Dicas de como você pode defender a causa da primeira infância

Leandro Machado é cientista político e fundador da CAUSE, a primeira consultoria especializada em advocacy do país. Em 2015, foi reconhecido como Jovem Líder Global pelo Fórum Econômico Mundial. Ele participou do VI Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, em novembro, e concedeu uma entrevista exclusiva ao blog para passar dicas bem práticas de como você ou sua organização pode abraçar a causa da primeira infância.

Fundação Maria Cecilia – Qual o papel da CAUSE na defesa de causas focadas nas gerações futuras?
Leandro Machado – A CAUSE tem três pilares de atuação: direitos humanos, novos modelos de desenvolvimento e novas formas de participação democrática. Acreditamos que, ao construir estratégias de advocacy nesses campos, estaremos contribuindo para que as gerações futuras tenham planeta, sociedades e democracias mais saudáveis.

FMC – Qual a importância da advocacy para que a causa seja fomentada e disseminada, gerando mobilização e mudanças?
LM – É de suma importância. O advocacy como metodologia de engajamento em torno de causas mais amplas, como é caso da primeira infância, é usado com sucesso em vários países. Uma estratégia de advocacy bem-sucedida resultará em uma decisão governamental positiva, porque se dará por meio do engajamento e da atuação de vários grupos da sociedade. Para conseguir isso, é fundamental um planejamento de longo prazo, com objetivos, estratégias e indicadores bem definidos, além de uma mensagem positiva e mobilizadora.

FMC – O que é essencial nas organizações, associações e órgãos públicos para realizar um advocacy estruturado, que gere impacto?
LM – Três coisas são fundamentais: um bom diagnóstico da situação, objetivos claros e uma boa estratégia (que contemple mapeamento do público estratégico, definição de parcerias e alianças, definição da mensagem central e de indicadores etc.). Independentemente do setor no qual trabalha, é importante que a organização tenha, antes de pensar a advocacy propriamente dita, um bom tema para trabalhar. Esse tema deve surgir de um objetivo atual no qual a instituição está atuando ou de um programa específico no qual está começando a se debruçar, deve ser algo ligado ao propósito da organização. É importante que esse tema tenha uma boa justificativa: “por que ele deve ser trabalhado? Quais evidências justificam sua necessidade?” Por último, mas não menos importante: o tema deve ser relevante para mais de um grupo/ organização da sociedade, ele deve unir o propósito da organização a demandas da sociedade e beneficiar ambas as partes.

FMC – De que forma articular os vários agentes que lidam com a primeira infância (dos formuladores e implementadores de políticas públicas aos profissionais que atuam nas áreas de desenvolvimento e suas famílias) em torno do advocacy?
LM – Primeiramente, acredito que é necessária uma articulação coordenada entre todas as organizações relevantes que atuam na área, de modo que elas se encontrem regularmente para definir uma estratégia conjunta e única de advocacy, bem como fomentar e acompanhar a sua implementação. Essa estratégia é que deve estabelecer:
• quais os públicos serão impactados (governos, gestores, profissionais, famílias etc.)
• com quais objetivos (engajar, aprovar lei, conscientizar etc.)
• por quais meios (reuniões, publicações, filmes etc.)
• em que momento
• principalmente, qual mensagem central deve ser passada a todos os públicos estratégicos (os stakeholders).
Sem essa coordenação de esforços, pode acontecer de os públicos serem impactados com mensagens truncadas, pelos meios menos eficazes, fazendo com que a causa da primeira infância não avance na rapidez necessária.

FMC – Como as pessoas comuns, que estão no dia a dia de crianças, podem fazer um advocacy cotidiano?
LM – O que podemos fazer individualmente é nos conectarmos com organizações sérias que lidam com o tema da primeira infância e contribuir com o movimento, divulgando seus materiais em todas as oportunidades – nas reuniões da escola, na igreja etc., apoiando financeiramente, participando de debates e fóruns (presenciais ou virtuais) ou até mesmo compartilhando conteúdos dessa organização pelas suas redes sociais.

FMC – Você esteve no VI Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, realizado no início de novembro, em Recife, para falar do tema. Como viu a sua participação nesse evento?
LM – Como sou um entusiasta da causa, foi uma oportunidade única para conhecer as melhores práticas, ter contato com parceiros para engajamento em campanhas de advocacy que já estejam em andamento e entender como posso participar mais ativamente das questões que permeiam a primeira infância.

Agora que você já tem várias inspirações para atuar pela causa da primeira infância, que tal ver ou rever a mesa de debates em que Leandro esteve, no VI Simpósio Internacional, ao lado de Isabella Henriques, do Prioridade Absoluta, programa do Instituto Alana? É só clicar aqui!

Os pontos de vista contidos no texto são de responsabilidade do entrevistado e não necessariamente representam o ponto de vista da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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