Entrevista – Número de crianças por sala, quantidade de cuidadores e qualidade dos espaços. Qual o impacto no desenvolvimento infantil?

Número de crianças nas salas das creches e pré-escolas, quantidade de cuidadores por grupo de alunos, tamanho dos espaços… Estes são alguns fatores que contribuem ou não ao aprendizado e desenvolvimento infantil. Temas nem sempre abordados, mas que preocupam. Por isso, neste momento em que uma Base Nacional Comum Curricular está sendo discutida, vale a pena falar a respeito. Este é o objetivo da entrevista com Beatriz Ferraz, especialista em educação infantil, que você confere aqui.

Fundação Maria Cecilia – Existe uma lei federal ou políticas públicas que defina a quantidade de crianças e educadores por turma de creche e pré-escola?
Beatriz Ferraz – O que temos no Brasil são documentos orientadores que buscam traçar indicadores de qualidade para a relação professor/criança, o que não necessariamente indica o tamanho da turma. O documento “Parâmetros de Qualidade para a Educação Infantil”, produzido pelo Ministério da Educação (BRASIL, 2006d), propõe: 1 adulto para cada 6 a 8 crianças de 0 a 2 anos; 1 adulto para cada 15 crianças de 3 anos e 1 adulto para cada 20 crianças acima de 4 anos. Segundo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OECD (2013), em 2011, a média da proporção professor/criança no Brasil era de 1 para 17, pior que dos países da OECD, cuja proporção é de 1 para 14. Ao mesmo tempo, melhor do que alguns países da América Latina, que apresentaram médias de 1 para 25.

Fundação – Há alguma definição sobre como deva ser o tamanho físico mínimo e máximo de uma sala de aula para acolher com conforto e segurança cada turma de creche e pré-escola?
BF – Segundo o documento “Parâmetros Básicos de Infraestrutura para Instituições de Educação Infantil”, do Ministério da Educação, a recomendação é que a capacidade máxima dessas instituições seja de atendimento a 150 crianças em período integral ou por turno e que a área mínima para todas as salas, para crianças de 0 a 6 anos, contemple 1,50 metro quadrado por criança atendida.

Fundação- O que o número de alunos versus de educadores impacta no desenvolvimento cognitivo e socioemocional da criança nesses espaços educativos?
BF – Essa relação é muito importante. Nessa fase da vida, as interações de qualidade têm um impacto positivo significativo no desenvolvimento e na aprendizagem da criança. É importante que essas interações estejam baseadas em relações afetivas positivas, comprometidas e favorecedoras. As crianças pequenas têm necessidade de estabelecer e manter relações interpessoais estáveis, contínuas, íntimas e calorosas. Para isso é fundamental que possam contar com um número restrito de adultos que lhes seja bem conhecido e, preferencialmente, manter uma relação afetiva privilegiada com ao menos um desses adultos. Além disso, as crianças precisam ser respeitadas em seu ritmo individual de desenvolvimento e receber respeito e apoio indireto em suas atividades livres, fruto de suas iniciativas. Para que isso se dê com qualidade, é importante um adulto estar disponível e atento, estabelecendo com a criança uma espécie de bate-bola, que estabelece uma sintonia entre os dois.  Segundo pesquisas, já se sabe que o cérebro de crianças de 0 a 3 anos se desenvolve através da interação entre elas e os adultos: as crianças “passam a bola” – na forma de vocalizações, gestos ou palavras – e os adultos a devolvem, sintonizando-se com a criança. Dessa forma, ela experimenta o sentimento de segurança e continuidade e consegue, assim, acumular experiências importantes e favorecedoras para a construção de sua autonomia, das relações afetivas verdadeiras e de seu “eu”.

Fundação – Quando se pensa em uma Base Nacional Comum Curricular que também envolve a educação infantil, tópicos como a quantidade de alunos e educadores por turma é um aspecto a ser analisado para se cumprir os objetivos de aprendizagem que esse documento se propõe a fomentar? Por quê?
BF – Com certeza esses são aspectos importantes. Por isso, o documento da BNCC foi elaborado a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil e considera as orientações já estabelecidas nos diferentes materiais publicados pelo Ministério da Educação, bem como as legislações que a antecede. Para que a Base possa ser um documento claro e objetivo em relação àquilo que se propõe, privilegia-se no documento referências a esses outros documentos orientadores e à legislação e se restringe no aprofundamento de sua proposta de organização curricular bem como na definição dos objetivos de aprendizagem e de desenvolvimento.

Os pontos de vista contidos no texto são de responsabilidade do entrevistado e não necessariamente representam o ponto de vista da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal.

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Comments

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    Parabéns pela informação sobre a Fundação Maria Cecilia falando sobre a primeira infância.

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      Obrigada, Edila Simone Andrade. Continue nos acompanhando. Se quiser mais informações sobre o tema, acesse o acervo digital, com livros, vídeos, documentos, para baixar gratuitamente, no nosso site: http://www.fmcsv.org.br Abraços!

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    É muito fácil colocar tudo isso no papel, vem trabalhar pelo menos um dia em uma creche que são 14 crianças para 2 professoras,tendo que cuidar e fazer a parte pedagógica, são varias trocas durante o dia, muitas vezes 2 banhos. São 8hs de trabalho. Ninguém pensou no professor, na saúde, estamos estressados e doentes.

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      Com certeza existem muitas realidades como a sua, Conceição Brasil. Por isso é importante participar das discussões públicas da Base Nacional Comum Curricular que tratarão deste e de outros temas. Assim começam as mudanças. Participe. Mais informações no site do Movimento pela Base (http://movimentopelabase.org.br/). Abraços e boa semana!

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    Trabalho em um Centro Municipal em Caldas Novas e tenho 24 alunos entre 4 e 5 anos e sou sozinha. A realidade é muito diferente do que está nas leis, ninguém fiscaliza e tudo fica só no papel. 1,50 por aluno isso não existe mesmo

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      Olá, Izabel Vale. Muito importante o seu relato. Por isso é importante que todos participem dos debates públicos sobre a Base Nacional Comum Curricular que se iniciam neste mês de julho para que esses aspectos possam ser revistos.

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    O que acontece é que a “Direção” só olha os números por sala e esquecem do espaço físico que cada um precisa. Sou professora. Trabalho numa EMEI,tenho 20 alunos de 4/5 anos integral. Minha sala é muito pequena. Foi construída para 15 alunos por sala mas colocam 20.N ão tenho auxiliar.Saio 12hs e uma monitora assume a sala no momento do sono.Participei da Equipe de Diretriz na escrita do documento de orientação para Educação Infantil.Vamos sobrevivendo.Sei que tem colegas em situações piores.Precisamos rever os conceitos de formação de classe.

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      Olá, Edocacina Gomes. Obrigada pelo seu importante comentário. Participe das discussões públicas sobre a terceira versão da Base Nacional, que começam em julho, e leve a sua contribuição às mudanças necessárias.

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    Boa noite. Trabalho com educação infantil e acho um absurdo 6 a 8 crianças de 0 a 2 anos com uma pessoa. Totalmente surreal. Ainda bem que o local no qual trabalho não usamos esta proposta. Temos o número de educadores que achamos adequado. A pessoa que fez este documento não tem noção do cuidar e educar.

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      Olá, Maria natalina dos santos. Obrigada pelo seu relato. É importante levá-lo às discussões públicas sobre a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular, que acontecerão em julho. Participe!

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      Concordo com a Sra. Ao meu ver, é necessário no minimo 3 educadores com crianças de 0 a 2anos, com até 6 crianças. Realmente é surreal a proposta da Educação. Já estive em escolas ( creches) no exterio, em países mais desenvolvidos e a realidade deles é a ideal.Digo isso, porque tenho minhas netas nessas escolas, que são mantidas pelo governo em 50% e os pais com os outros 50%.E,as classes de infantil 1, de 3/4 anos,têm 9 crianças com 1 ou 2 educadoras, dependendo da atividade. Classes te desprovidas de mesinhas individuais.Quando tem são mesas onde todas compartilham da mesma mesa.

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    Este assunto é muito importante ser debatido. Tenho uma turma de crianças de 3 anos e são 17 crianças. Eu sou a professora e tenho uma auxiliar que chamamos de Atendente. E assim mesmo é muito corrido, pois nessa fase eles brigam muito e cada criança a mais faz muita diferença pois não dispomos de espaço, qualidade de material e nem brinquedos.
    Este número de crianças por PROFESSOR tem que ser revisto e depois RESPEITADO pq na minha cidade as es. Infantil estão se tornando um DEPÓSITO DE CRIANÇAS

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      Olá, Amanda. Obrigada pelo seu testemunho. É importante que você leve a sua experiência às discussões públicas sobre a terceira versão da BNCC que começam em julho. Acompanhe e participe.

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    Tenho uma escola infantil.
    Creche e Pré escola.
    Pré escola máximo 13 crianças.
    Uma monitora
    Uma professora.
    Creche
    Para cada 5 criancas uma monitora.
    Realmente 8 crianças para uma monitora e inviável.

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    É muito fácil para quem está fora de sala ditar regras a respeito do número de crianças. Queria ver essa pessoa só um dia com 15 crianças de 3 anos. Ah! Como queria… Só um dia!

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      Verdade, Nadia. Por isso é importante compartilhar essa realidade com as pessoas que vão debater, a partir de julho, nas discussões públicas, a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular. Tenha mais informações na página do Movimento pela Base: http://www.movimentopelabase.org.br Abs

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    Até que fim Alguém falou de uma tema que na minha opinião impedi que haja qualidade no ensino e aprendizagem dos alunos, em especial em turmas de Educação Infantil e anos iniciais (alfabetização).. salas super lotadas sem nenhum auxílio… Fazendo com as salas de aulas se tornem um depósito de crianças e não de ensino…

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      Por isso, Sheyla Ferreira, trouxemos o tema ao debate para que inspire as pessoas nas discussões públicas que acontecerão a partir de julho, sobre a terceira versão da Base Nacional Curricular. Participe e leve a sua opinião sobre o tema. Tenha mais informações no site do Movimento pela Base: http://www.movimentopelabase.org.br Abs

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    Eu nao concordo por exemplo uma pessoa fica com 8 bebês que nao andam para apenas uma pessoa, super errado.

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      Obrigada pela sua opinião, Lucy. Por isso é importante participar das discussões públicas sobre a Base Nacional, que começam em julho, e levar a sua posição a respeito. Saiba mais na página do Movimento pela Base: http://movimentopelabase.org.br/ Abraços.

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    Onde trabalho é um adulto para cada criança de 5 a 6 anos! E a exigência em termos de qualidade é gigantesca para o professor!

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    Trabalho com uma turma de 25 alunos de 4 a 5 anos Em um espaço reduzido a sala fica super apertada. Confesso que não é nada fácil dar conta dessa quantidade de aluno sozinha em uma sala pequena e ter que oferecer um ensino de qualidade, seria Maravilhoso se a todas as escolas de educação infantil fosse padronizada e seguisse os critérios necessários para oferecer um verdadeiro ensino de qualidade. Queremos acolher nossas crianças com conforto e segurança, tem que haver uma avaliação quanto a quantidade de alunos e um espaço físico adequado.

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      Kath de souza, obrigada por compartilhar sua experiência. É importante levá-la às discussões públicas da terceira versão da Base Nacional Comum Curricular, que começam em julho. Mais informações na página do Movimento pela Base: http://movimentopelabase.org.br/ Abs

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    Preocupação exagerada em relação a nomenclatura.
    O que te faz um educador, independe da nomenclatura.
    Sim, o termo cuidador é aceito inclusive pela CLT.
    Isso diz respeito a função e o papel que você desempenha na vida da criança, porque cuidar e educar caminham de mãos dadas.

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    Esses números deveriam ser obrigatórios para todas as escolas nacionais pois em muitas acontece o excesso de alunos para o professor e ainda exigem qualidade no ensino. E não existem equipes para caminharem junto ao professor ao invés disso só exigem resultados.

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      Olá, Joce. Os números são para todas as escolas. É importante que sejam cumpridos. Por isso, participar da discussão da terceira versão da Base Nacional é essencial. Saiba mais a respeito na página do Movimento pela Base: movimentopelabase.org.br Abraços e obrigada pelo comentário.

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    Trabalho em uma escola pública. Aqui em BH/MG. Sou professora em uma turma de 1/2 anos. Aqui a sala tem 14 crianças para 1 professor e 1 ajudante. Definitivamente muito difícil manter a qualidade dos cuidados e parte pedagógica.

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      Olá, Bianca. Obrigada por compartilhar sua experiência. Se puder participar da discussão da terceira versão da Base Nacional para defender seu ponto de vista, seria bem bacana. O debate público começa em julho. Saiba mais informações na página do Movimento pela Base: movimentopelabase.org.br Abraços

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      Bianca ainda que vc tem um ajudante. Aqui em Jardinópolis-SP tenho 18 crianças 2/3 anos sem ajudante. Ainda tenho três apostilas para trabalhar durante o ano. Da pra imaginar o trabalho que dá.

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    Verdadeiro absurdo um adulto para seis bebês pois um bebê naõ pode ficar sem a atenção de adulto.o adulto não tem como cuidar sozinho de 6 bebês.Muito menos 1 cuidador para 15 crianças.Quem faz as leis nunca estiveram cuidando de crianças.Primeira vez que respondo sobre este tema.

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      ignez capeto miranda, muito relevante a sua colocação. Por isso, é interessante que você participe das discussões públicas sobre a terceira versão da Base Nacional, que acontecem em julho. Informe-se como e onde elas se darão na página do Movimento pela Base: movimentopelabase.org.br Abraços e continue dando a sua opinião.

  17. avatar

    Cuidador? Adulto /criança? Que relacáo é esta? Até onde sei, educação infantil faz parte da Educacao Básica, fazendo parte da educação básica, é professor…não basta ser adulto, tem que ter formação.

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      Tem razão, Adriana Oliveira. Eles são educadores e desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da criança. Abraços.

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      Olha adriana o papel do cuidador é tanto importante quanto ao do professor o nosso papel e cuidar e educar como um todo, tenho formação de pedagogia,porém essa profissão nao exige pegagogia.

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    Imaginem só…De seis a oito bebês por professor! Ninguém lembra que as fraldas têm que ser trocadas…Pelo menos duas vezes por turno nem se falando nas extras o que é normal para essa idade! É a alimentação???? Os bebês nem sempre têm um horário para se alimentar…Se não comem o profissional certamente irá oferecer outras opções. Isso tudo envolve preocupação com o bem estar! É aquele Colombo que esses pequeninos precisam e merecem! Principalmente porque estão afastados temporariamente das mães e queremos necessitam esse aconchego que lhes traz segurança! É a alimentação?????Como uma só pessoa vai alimentar de maneira correta de seis a oito bebês ao mesmo tempo??? Qual o tempo que sobra para a preocupação com o desenvolvimento dá autonomia e habilidades??? Por mais que um profissional seja o mais competente….O mais dedicado….O mais preocupado em proporcionar o bem estar…O mais profissional e responsável…Concordem comigo! Isso é humanamente impossível! Quem tem filhos principalmente gêmeos….Concorde comigo!! Antes de aprovarem essas leis sugiro um teste prático!!

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      Entendemos sua posição, Adélia Gomes. Por isso, é importante participar das discussões a respeito, sempre que possível. Em julho, a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular irá ao debate público. Participe! Informe-se na secretaria de educação de sua cidade para saber mais a respeito ou no site do Movimento pela Base (http://movimentopelabase.org.br/o-movimento/).

  19. avatar

    Cuidadores?
    Pessoas que trabalham em creches e na Educação Infantil são Educadores!

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      É verdade, Camila Pallis. Eles são educadores e desempenham um papel fundamental no desenvolvimento da criança. Abraços.

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      Cuidado no sentido amplo do termo inclui educação e vice versa. Não devemos ser preconceituosos com o termo cuidador. No Brasil o cuidado e considerado menor, por isso essa reação. Em relação ao espaço e preciso consultar as normas sanitarias que tem valor legal, como a que preve 2 metros quadrados para menores de dois anos e não um e meio como preve o MEC.

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    Quantos bebês vocês consegue cuidar. ..porque tenho dois braços não consigo pegar mais que dois bebês ainda depende do tamanho e peso..pra alimentar então a dificuldade ainda aumenta…Não concordo com essa lei …que esquece que bebê e diferente de criança. .o que fazer para pedir ajuda para mudar essa lei em relação a quantidade de cuidador e quantidade de bebês. ..

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      Entendemos sua posição. Por isso, é importante participar das discussões a respeito, sempre que possível. No próximo mês, a Base Nacional Comum Curricular (a terceira versão) irá ao debate público. Informe-se na secretaria de educação de sua cidade para saber mais a respeito ou no site do Movimento pela Base (http://movimentopelabase.org.br/o-movimento/).

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      A base não preve condições de infraestrutura. E preciso que a ANVISA aprove a norma tecnica elaborada por um grupo do qual fiz parte, entre MEC e MS sobre condições de infraestrutura para o cuidado e educação das crianças em creches. Consultem o Diario Oficial de 2010 e a Anvisa a respeito, a revisão da Portaria 321 de 1988.

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        Obrigada, Damaris Gomes Maranhão, pela sua importante colocação. É importante que você continue participando das discussões a respeito, sempre que possível. No próximo mês, a Base Nacional Comum Curricular (a terceira versão) irá ao debate público. Informe-se na secretaria de educação de sua cidade para saber mais a respeito ou no site do Movimento pela Base (http://movimentopelabase.org.br/o-movimento/).

  21. avatar

    Muito interesse

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