Licenças iguais para mães e pais: o que você acha disto?

A desigualdade de gênero também se reflete na licença-maternidade e licença-paternidade. O que há por trás disso é uma cultura que reforça o ser mãe como principal papel da mulher na sociedade e o “ajudar” a mãe como a função do pai.

Esta é a discussão levantada pelo pai e advogado Pedro Vieira Abramovay, no artigo que escreveu para o site Nexo, “Ser pai é um ato político”.

Embora a licença-paternidade estendida de cinco para vinte dias, prevista no Marco Legal da Primeira Infância, represente um avanço, Pedro considera uma discrepância se comparado ao tempo dado à mãe. Para ele, ambos deveriam ter o mesmo período – quanto mais, melhor -, compartilhando-o ou intercalando-o, como acontece em alguns países (leia “Paternidade ativa: um tema importante para o Dia do Homem”).

Outras questões levantadas pelo articulista merecem nossa reflexão:

  • Por que apenas três das 200 maiores empresas do País têm mulheres no seu comando?
  • Por que, de todos os deputados, apenas 10% são mulheres?
  • Por que muitas mães, quando voltam da licença-maternidade, escutam comentários de colegas ou chefes como: “agora você está bem descansada, já que ficou tanto tempo em casa”?
  • Por que as pessoas não dizem coisas como: “que bom, fulano, que você tem sua parceira para compartilhar as responsabilidades e cuidados com seu bebê”? No lugar disto, o mais comum é ouvir: “que bom, fulana, que o fulano te ajuda a cuidar do bebê”.

 

Agora esta questão é para nós: o quanto, no nosso dia a dia, a gente contribui para que essa cultura de desigualdade seja perpetuada? Você já parou para pensar nisto?

Pedro é taxativo ao afirmar, no seu texto:

“Levar a paternidade a sério é dividir completamente as tarefas com a outra pessoa responsável pela criança. É descortinar diante de si camadas de machismo. As camadas que determinam a maneira como a sociedade impõe à mulher seu lugar de cuidadora primária dos filhos.”

A preocupação com o tema faz todo o sentido. A ciência já provou a importância do pai no desenvolvimento da criança, especialmente nos primeiros anos de vida.

Por isso, cabe a nós mostrar às pessoas que a participação paterna só trará benefícios ao bebê, à mãe, ao próprio pai  e a toda sociedade.

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Comments

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  1. avatar

    É frustrante o número de fragilidades que se pressupõe sobre as mulheres enquanto profissionais e o nível insano de cobrança para que elas se “provem” em tantas outras áreas também – a “boa mãe”, a “bela e elegante”, a “esbelta e saudável”, …, uma lista infinita, infelizmente.

    Gosto de uma colocação feita pela psicóloga Vera Iaconelli no documentário “O Começo da Vida” de que as mulheres precisam deixar o pai cuidar das crianças sem impôr a maneira adotada por elas como o único e exclusivo método correto. Essa complementaridade agrega muito ao desenvolvimento do bebê.

    Destaco outra frase fantástica do Pedro no texto citado: “A sociedade precisa que pais e mães cuidem das crianças. E esse custo deve ser repartido entre todos e todas”. Não é apenas a família em questão que se beneficia desse cuidado aprofundado. É toda a comunidade.

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