O brincar: tema central da educação infantil

Um dos direitos de aprendizagem e desenvolvimento na educação infantil, explicitado na terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que irá ao debate público em julho próximo, é o brincar. Mas existem escolas que ainda não favorecem espaços e tempo para isso.

De acordo com o 9º artigo das Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil (DCNEI), os eixos estruturantes das práticas pedagógicas da educação infantil são as interações e as brincadeiras. A partir delas, as crianças aprendem, desenvolvem-se e socializam-se com seus pares e com os adultos.

Quando observamos essas interações identificamos, por exemplo, a expressão de afetos, a mediação das frustrações, a resolução de conflitos e a regulação das emoções. Ou seja, brincar é tudo de bom e precisa ser estimulado sempre, especialmente na escola.

No entanto, uma matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo (“Escolas infantis trocam o estudo pela brincadeira”, 7 de maio de 2017) aborda, dentre os resultados de uma pesquisa realizada pela marca OMO, que não só algumas escolas, mas muitas famílias não consideram o brincar algo essencial ao desenvolvimento infantil. Na verdade, pelo estudo, 51% dos pais brasileiros consideram que as tarefas escolares são mais importantes que as brincadeiras para o sucesso de seus filhos.

Na mesma matéria, o especialista Lino de Macedo, do Núcleo Ciência pela Infância, defende que o brincar ao ar livre deva ser estimulado nas escolas, já que, especialmente nos centros urbanos, as crianças estão cada vez mais distantes da Natureza, fato que prejudica o desenvolvimento infantil.

Para que esse direito seja garantido é preciso rever algumas realidades. O Censo Escolar 2016 registrou que 41,3% das creches e 58,4% das pré-escolas não possuem parquinhos, o que significa uma falha grave no sistema.

As gestões municipais precisam olhar para essa questão com prioridade. O brincar é importante e vital à infância. Pense nisto!

“Brincar de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), de forma a ampliar e diversificar suas possibilidades de acesso a produções culturais. A participação e as transformações introduzidas pelas crianças nas brincadeiras devem ser valorizadas, tendo em vista o estímulo ao desenvolvimento de seus conhecimentos, sua imaginação, criatividade, experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais”.
Terceira versão da BNCC, 2017

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Crédito da Imagem: Guga Ferri

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