Os desafios da educação infantil

Um artigo publicado pelo portal Estadão analisa os desafios da educação básica e foca nos obstáculos que a educação infantil tem de enfrentar para acolher todas as crianças pequenas com qualidade. Como profissional da Primeira Infância, é preciso entender esse cenário e contribuir ativamente para que essa realidade mude. Nossas crianças têm o direito a uma escola que promova a formação integral e transformadora. É para isso que trabalhamos todos os dias.

O artigo, publicado pelo portal de O Estado de São Paulo, é de Ricardo Ceneviva, professor de ciência política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM) no CEBRAP.

Com base nele, pinçamos as informações que pontuam as metas e os obstáculos para que elas sejam cumpridas, tendo por base o que ficou definido no Plano Nacional de Educação (PNE), recém-aprovado pelo Congresso Nacional. Para que os objetivos se cumpram na educação básica, Ricardo sintetiza: “Será preciso ampliar o atendimento, melhorar a qualidade e reduzir as desigualdades entre escolas e redes de ensino público”.

Universalizar, até 2016, o atendimento escolar da população de quatro e cinco anos, e ampliar, até 2020, a oferta de educação infantil de forma a atender 50% da população de até três anos é um dos objetivos impostos ao País.

O cenário atual mostra que muito ainda precisa ser feito para que ele se cumpra. Segundo o IBGE, em 2012, 82,2% era o índice de escolarização de crianças de quatro e cinco anos. Isso significa que falta cerca de 1,16 milhão de vagas na educação infantil.

A universalização do acesso à pré-escola é de quase 100%. Já atingimos 92,3%. Só que apenas 71,2% da parcela dos 20% de crianças de quatro e cinco anos, mais pobres, é que são contemplados por essa “universalização”. Por outro lado, os 20% de crianças dessa faixa etária, em situação econômica favorável, têm sua vaga na escola garantida. As desigualdades regionais e econômicas são os grandes entraves para que esses números negativos sejam superados até 2016.

O acesso a escolas e creches por 50% de crianças de zero a três anos era um objetivo antigo, estabelecido pelo PNE anterior, para ser cumprido até 2005. Nem chegamos perto. Agora, foi postergado para 2020. O déficit de vagas em creches chega a quase três milhões. Apenas 23,5% das crianças dessa faixa etária estão matriculadas. Ricardo também alerta ao que parece óbvio, mas não tem sido a prática atual: “Nossa atenção à educação não pode se restringir ao atendimento sem um olhar especial para a qualidade do ensino. Isto é, não podemos simplesmente aumentar o número de vagas disponíveis e deixar de lado a qualidade da educação oferecida em nossas escolas”.

Sobre o objetivo de alfabetizar todas as crianças, no máximo, até o final do terceiro ano do ensino fundamental, primeiro é preciso ter resposta para esta questão: quando podemos considerar que uma criança está devidamente alfabetizada? Segundo Ricardo, “quando domina a leitura e a escrita como instrumentos para continuar aprendendo, buscando informações e é capaz de se expressar, ler e produzir diferentes tipos de texto”.

No levantamento realizado pelo grupo “Todos pela Educação”, cerca de 44,5% das crianças matriculadas no terceiro ano apresentam aprendizagem adequada em leitura. Em escrita, são apenas 30,1% dos alunos nessa  condição favorável. Ou seja, ainda não conseguimos cumprir esse objetivo também.

Ricardo conclui, em seu artigo, que “as metas colocadas pelo Plano Nacional de Educação em relação ao atendimento adequado e de qualidade das nossas escolas são ambiciosas. Principalmente se considerados os números atuais da educação infantil e os resultados das avaliações externas. Estas metas são, contudo, viáveis, desde que os objetivos a serem atingidos sejam claros, haja o comprometimento das diferentes esferas de governo, e, principalmente, seja realizado um trabalho sistemático e intencional visando a melhoria da qualidade da formação inicial e continuada dos docentes”.

Você concorda com ele? Deixe aqui a sua opinião e aproveite para conferir o artigo na íntegra.

Comments

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    Muito interessante todas as falas!!!estamos fazendo um artigo sobre esses desafios.

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    Aumentar o números de vagas, mas também propiciar a crianças e ao professor um local adequado, com materiais , que levem o aluno a ser um ser pensante e atuante. Só assim nossas crianças terão uma qualidade no ensino.

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    Realmente são inúmeros os desafios da educação! Conheço um Prof. que tem contribuído com uma grande ferramenta, ela já está se tornando realidade no município de Fortaleza-CE e pode ser um grande diferencial quando se fala em educação de qualidade.
    A psicomotricidade relacional tem obtido resultados muito bons, dentro da rede pública e da particular. O Prof. José Leopoldo Vieira (Curitiba-PR) é o grande precursor desta metodologia.
    Vale a pena conhecer!

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