Por que mulheres ainda morrem nos partos em pleno século 21?

Esta pergunta também deve intrigar você, que trabalha na área da Saúde da Primeira Infância (da gestação aos seis anos). Há várias respostas, dentre elas a insuficiência de investimento, a exclusão social sofrida por parte das mulheres e a falta de conscientização sobre os cuidados durante esse período único. E é por isso que você tem tudo a ver com o tema, porque pode mostrar às mães a importância indiscutível do pré-natal e cobrar das autoridades a implementação de medidas preventivas na rede de assistência de sua cidade.

O número assusta: são cerca de mil mulheres que morrem no mundo, todos os dias, por causa de complicações na gravidez e no parto, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), que também noticiou que, apesar de tudo, a mortalidade materna vem registrando redução de 45% desde 1990.

Em 2013, foram 289 mil óbitos contra 523 mil em 1990. Por um lado, a regressão é um alívio. Por outro, em pleno século 21, com tanta informação e tecnologia, as cifras ainda surpreendem e são um alerta para quem atua na área.

Quase todas as mortes acontecem em países em desenvolvimento, sendo que um terço do total está dividido entra a Índia (50 mil) e a Nigéria (40 mil).

Ou seja, a pobreza, a falta de investimentos em Saúde, a ausência de políticas de prevenção, nessas nações, são os principais responsáveis pelo alto número de mães que morrem durante a gestação ou o parto.

Um estudo da agência da ONU para a Saúde, publicado na revista The Lancet Global Health, revelou que uma em cada quatro mortes são ocasionadas por complicações de problemas preexistentes, como diabetes, HIV, malária ou obesidade.

Um quarto das mortes deve-se a hemorragia severa. Outras causas identificadas são: hipertensão induzida pela gravidez (14%), infeções (11%), obstruções e outras complicações no parto (9%), complicações relacionadas com o aborto (8%) e coágulos sanguíneos (3%).

No Brasil, cerca de 800 gestantes morrem todos os anos. O índice de mortalidade materna aqui tem tido uma tímida diminuição, apesar das iniciativas do governo brasileiro com a criação de programas e políticas públicas, e permanecem acima do que é considerado aceitável pela a OMS (entre 10 e 20 mortes maternas/100.000 nascidos vivos).

O pior de tudo é que, segundo especialistas, os óbitos seriam evitados em 90% dos casos. Estudos revelam, também, a marginalização de mulheres por meio das desigualdades de classe social, gênero, raça/etnia e geração, que se articulam, penalizando as mais jovens, pobres, negras, as pouco escolarizadas, residentes nos bairros periféricos das cidades, sem acesso aos bens e serviços e à Saúde, como mostra o site Ciência e Cultura.

O problema está aí e cabe a cada um de nós, que atua com a Primeira Infância, detectar as causas e cobrar ações concretas dos responsáveis para mudar essa realidade.

Aliás, o que você pensa a respeito? Como acredita que possamos reverter esses índices e evitar que tantas crianças nasçam órfãs de suas mães? Deixe aqui a sua opinião.

Comments

30
  1. avatar

    Bom dia,
    Estou estudando sobre o assunto e preciso de dados sobre mortalidade nos partos normais e casarias, sabe onde posso encontrara? Um tema tão bonito e complexo com tantos relatos triste.

    Desde já agradeço

  2. avatar

    Em 2010 tive um filho que logo aos dez meses de vida faleceu por complicações no meu parto. Fiquei 3 dias no hospital sem condições de ter um parto normal e eles adiando a minha cesariana por dizerem que eu tinha condições de ter normal. So fizeram a cesariana depois que eu ja estaca quase morta, fui parar no balão de oxigénio e meu bb nadceu todo roxo e não pode crescer normal infelizmente eu o perdi e até hoje sofro com isso meu sofrimento será eterno.
    Minha pergunta é: porque eles nos deixam tanto tempo esperando até que o ponto de algumas morrerem ou ficarem com sequelas para o resto da vida?

    • avatar

      Olá, Eva. Seu depoimento nos mostra o quanto ainda é preciso avançar para que mães e bebês tenham suas vidas preservadas antes, durante a após o parto. Lamento muito o que você passou e torço para que possa superar o que sente. Abraços

  3. avatar

    Boa tarde,
    Meu nome é Giovani e relato resumidademente o fato: ha 4 anos minha irma e sobrinho foram a óbito no parto por negligencia medica, processo ainda anda lentamente mas sem muito sucesso. Esta semana veio a óbito mais uma criança por negligencia medica, detalhe que foi o mesmo medico que iniciou a recusa do atemdimento.
    Meu contato é simples, o que podemos fazer pra mudar isso e como? A quem podemos pedir ajuda? Preciso da ajuda de alguem que olhe pela Santa Casa de Ouro Fino e pela futuras familias que desejam ter filhos.
    grato pela atenção, obrigado

  4. avatar

    Sou enfermeiro, se eu puder ajudar alguém, estou à disposição.

  5. avatar

    Bom dia tou gravida e já estou de 7 meses estou cheias de complicações eu não estou com o psicológico bom pq estou morrendo de medo decorrer ou minha filha morrer no parto tou enterrando nas maos de deus

  6. avatar

    Perdi minha esposa 6 dias após o parto, não consigo entender a negligência da saúde, da medicina, dos governos, das universidades, etc. Hoje fazem 23 dias, de mta dor. Tem que mudar.

    • avatar

      Olá, Claydmar. Muito triste o seu depoimento. Realmente as coisas precisam mudar. Em 2018 continuaremos trabalhando para isso. Nosso abraço fraterno nesse momento tão difícil.

    • avatar

      Força meu irmão. Acabamos de passar por um parto traumático na família. Parto dito normal, mas na verdade é “anormal”, bolsa rota, indução, 30 horas de trabalho de parto, corte extenso, hemorragia, anemia, estresse, ausência do leite materno, bebê baixo peso. Mas graças ao bom Deus, nossa história teve um final feliz! Minha avaliação é que a intervenção médica precisa durante e pós parto faz toda a diferença. A informação e cobrança dos familiares nesse momento é crucial. estar atento a qualquer sinal de vulnerabilidade da parturiente, puérpera e recém-nascido, buscando as intervenções médicas e de enfermagem em tempo recorde. Entretanto, às vezes temos todos esses aparatos, e mesmo assim a morte nos rouba os entes queridos. O que pensar, quem culpar? Ninguém. Existe um Deus que é soberano e que tem os nossos dias contados. Resta-nos aquietar o coração e seguir em frente, cuidando da nova vida dada por Ele e pedindo o consolo que vem do alto. Difícil demais, mas se tem a confiança no Altíssimo seu fardo se torna mais leve. Entretanto, nossa fé não pode ser motivo de negligência em relação aos cuidados para manutenção da saúde e da vida. e também não é desculpa para não lutarmos por políticas públicas melhores no atendimento de mulheres gestantes e puérperas, mais investimentos em maternidades, profissionais capacitados, equipamentos, insumos, etc.

      • avatar

        Everlane, obrigada por seu depoimento. Que o bebê tenha muita saúde e vocês sempre muito amor para acolhê-lo. Abs

    • avatar

      Boa tarde claydmar Hudson
      Também perdemos uma cunhada muito amada, um ser extradorinario, no parto.
      ficamos desolados , mas o tempo cura tudo, e Deus o Todo Poderoso nos conforta.
      Mas entendo tua dor é algo sem explicação.
      caso tenha ficado um filho ame-o e Deus providenciará o resto.

  7. avatar

    Triste o bebezinho tao inocente ficar órfão tao cedo.Como evitar esses coágulos,que ficam no abdômen da mãe?

    • avatar

      coitada dessa mae morrer, isso sim. ngm pensa na coitada da mae, esse eh outro problema cultural que ja ouvi muito., que em alguns casos preferem salvar o bebe a salvar a mae. absurdo.

      • avatar

        verdade carla! Parece que a vidas mulheres não tem valor algum, o que importa são os fetos/bebês, e f*-se a qualidade do atendimento de saude que a gestante tem ( que é um lixo), e ninguém se importa com o amparo a essa mãe.

        Olha, realmente nosso problema no país é totalmente cultural, em todos aspectos.
        DEPRIMENTE.

      • avatar

        Realmente Carla, a mãe que sofre. No meu caso não tivemos escolha, Deus preferiu levar ela.

  8. avatar

    aplicar severamente as teorias de rousseao na nossa sociedade, poderia resolver.

  9. avatar

    Nossa, muito completo esse conteúdo. Obrigada por compartilhar

    • avatar

      Olá, Ana Bela. Que bom que gostou. Se quiser mais informações sobre primeira infância, além do que publicamos diariamente aqui, navegue em nosso acervo digital, no http://www.fmcsv.org.br Um abraço!

    • avatar

      Que bom que gostou, Ana Bela. Continue nos acompanhando. Se quiser ter acesso a outras informações sobre a primeira infância, navegue no acervo digital em nosso site (www.fmcsv.org.br) onde disponibilizamos livros, vídeos, matérias para download. Abraços.

  10. avatar

    Interessante.

  11. avatar

    Aqui na cidade que eu moro,uma mulher de 29 anos faleceu dPS de 3 meses e meio de gestação por que o bebê morreu dentro dela e os médicos demoraram pra retirar o bebê ela teve infecção generalizada lamentável ao invés de retirarem o feto de vez ela ficou 3 dias internada tomando remédios para expelir o bebê.

  12. avatar

    Interessante.

  13. avatar

    ainda nem tou gravida mas o meu maior medo de ser mae e a dor que vou sentir e a probabilidade de poder morrer no parto :$$

  14. avatar

    Oi!!! cruda realidade o que voces comentan.
    Eu acho que tem que mudar o sistema político para aumentar a quantidade e a qualidade do investimento na área da saude.
    Brasil, é uma potencia creciente, nao pode permitirse ter esas cifras.
    Temos que fazer alguma coisa…..

    • avatar

      O descaso com as pessoas na hora que estão mais fragilizadas.
      Falta de amor ao próximo e falta de temor de Deus (Médicos despreparados).
      São algumas da causas deste índices de mortalidade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*