Por que Primeira Infância? Aspectos sociais

Estudo desenvolvido durante 40 anos mostra a importância dos cuidados nos primeiros anos de vida

É na Primeira Infância que a arquitetura do cérebro começa a se formar. Os impactos absorvidos nesta fase podem afetar significativamente produzindo efeitos tanto no aspecto intelectual, como no emocional e social.

Nos primeiros anos de vida, a capacidade cognitiva – ou seja, o mecanismo que o ser humano utiliza para entender, assimilar e conectar-se com o universo ao seu redor – deve ser estimulada. Quanto mais adequado esse estímulo, a criança tem melhores condições de aprender e socializar-se.

O estudo The High/ Scope Perry Preschool Study Through Age 40, realizado pelo psicólogo norte-americano, David Weikart, na década de 60, comprova esta prática. Os resultados desse trabalho tiveram muito influência ao definirmos o escopo de nossas atividades e ao resolvermos atuar com projetos de incentivo e capacitação de profissionais que lidam com a Primeira Infância, em diversas áreas, como Educação, Saúde e Assistência Social.

Para comprovar a importância de estimular a criança desde os primeiros anos de vida, Weikart fez um experimento desenvolvido em Ypsilanti, no Michigan. Ele avaliou o desempenho escolar de 123 crianças afro-americanas nascidas na pobreza, por meio da aplicação de um programa de alta qualidade educacional. A pesquisa separou as crianças, entre 3 e 4 anos de idade, em dois grupos: o primeiro recebeu um tratamento pré-escolar de alta qualidade, baseado no método HighScope de ensino. O tratamento proporcionou aos pequenos aulas suplementares com professores em suas casas, semanalmente. Já o segundo grupo recebeu o acompanhamento de costume, sem nenhuma atenção especial.

Esse acompanhamento foi desenvolvido e baseado sob os fundamentos de Piaget. O método de ensino foi elaborado com brincadeiras e jogos, incentivando a criança a planejar, executar e refletir sobre suas próprias atividades.

Todas as crianças foram observadas ao longo de suas vidas, até completarem 40 anos de idade. Os impactos do programa surgiram várias dimensões. Os adultos que participaram do programa escolar na infância apresentaram mais chances de estarem empregados, terem diplomas de nível médio e rendimentos maiores do que aqueles que não receberam um estímulo extra durante os primeiros anos de vida.

Com essa ampla pesquisa, David Weikart pôde concluir a melhora no desenvolvimento do ser humano em diversos aspectos:

  • Educação: 65% das pessoas que participaram do programa concluíram o ensino médio, enquanto que somente 45% dos que não participaram, concluíram este grau escolar;
  • Desempenho Econômico: 60% das pessoas que participaram do programa pré-escolar recebiam 20 mil dólares aos 40 anos e somente 40% dos indivíduos com a mesma idade que não participaram do programa recebiam a mesma quantia;
  • Prevenção de Crimes: dentre as pessoas que foram presas mais de cinco vezes por volta dos 40 anos, 36% dos casos eram de pessoas que participaram do programa e 55% foram dos indivíduos que não participaram dele;
  • Relação familiar: 75% dos homens que participaram do programa tinham um bom relacionamento familiar aos 40 anos e porcentagem cai para 64% para aqueles que não participaram do programa.

Fique atento ao nosso blog, porque em breve, traremos mais dados sobre este estudo. Não perca!

 Fotos: Leo Sanches

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