Pós-parto: os desafios de uma nova fase da vida

Considera-se puerpério o período pós-parto, quando a mulher passa por alterações físicas e psíquicas, até que retorne ao estado anterior à gravidez. Uma fase nem sempre fácil, já que além de estar vivendo uma mudança brusca (a barriga diminui, os hormônios se reorganizam, o leite materno enche as mamas…), a mulher precisa conhecer seu filho, entendê-lo, acolhê-lo, mesmo sentindo-se cansada, às vezes melancólica, cheia de dúvidas.

Você já passou por isso ou acompanhou uma pessoa próxima que vivenciou essa fase? Então, com certeza vai se identificar com algumas destas questões que povoam os pensamentos da mãe:

* Quem eu era antes da gestação? Quem eu sou agora?

* Vou dar conta de alimentar e cuidar do meu bebê?

* Vou conseguir dormir? Quando meu bebê vai dormir?

* Por que me sinto melancólica e cansada?

* É normal eu chorar com o bebê?

* Por que às vezes me sinto incompreendida pelos outros?

* O que vou fazer quando a licença-maternidade acabar?

Não existe tempo certo para o puerpério, embora as literaturas indiquem um período em torno de 40 dias. Cada mulher é única e, no seu ritmo, vai se reencontrando e colocando ordem nas tantas mudanças, criando novas rotinas, revendo prioridades.

Muitas mulheres, quando engravidam, focam bastante a preparação da gestação e do parto e, algumas vezes, deixam o puerpério em standby, acreditando que será mais fácil de lidar com esse período. No entanto, nem sempre os processos são simples. Por isso é importante que a gestante prepare-se melhor, garantindo apoio do parceiro, familiares e amigas próximas, que já passaram por essa etapa.

Quando as coisas saem do plano idealizado, ou seja, a mãe percebe que o pós-parto é mais complexo do que imaginava, é importante contar não só com apoio de pessoas próximas, mas de bons profissionais que agreguem orientações consistentes. Ao mesmo tempo, participar de grupos de mães que compartilhem suas dificuldades é outra maneira de amenizar a angústia, minimizando sensações como incapacidade e solidão.

Várias mamães já enfrentam, de cara, a questão da amamentação, nem sempre simples, que exige significativo esforço, especialmente com o primeiro filho.

Para ajudar essas mães, vale conhecer e compartilhar estas recomendações básicas que ajudam a criar uma rede de proteção, fortalecendo sua segurança para que, mesmo com todas as possíveis dificuldades, possam cuidar melhor de seus bebês:

* Acolhimento, empatia e apoio são essenciais. Independentemente do tipo de parto, essa experiência pode ter deixado alguns traumas. Caso a puérpera queira conversar, deixe que ela desabafe. Apenas escute tudo o que ela tem a dizer, sem julgamentos ou opiniões que, nesse momento, não têm nada a agregar.

* Ajude. Sirva um copo d’água, presenteie-a com algo que você sabe que ela gosta, converse sobre a rotina, abrace, pergunte o que ela quer, coloque o lixo para fora, lave a louça. Poupe

comentários como “você carregou nove meses, mas saiu a cara do pai” ou “nem parece com vocês dois” ou “tem cara de joelho”.

* Telefone antes de fazer uma visita. Pergunte se a mãe se sente à vontade para receber pessoas, seja na maternidade ou em casa. Respeite o que ela disser. Caso esteja resfriado ou com algum mal-estar, adie. Seja breve. Evite dar palpites sobre assuntos relacionados ao jeito como a mãe age ou cuida do bebê, a não ser que sua opinião seja solicitada.

* Evite pegar o recém-nascido no colo, mas se a vontade for extrema, pergunte à mãe se você pode segurar o bebê (faça isso mais de uma vez) e respeite caso ela diga não. Por uma questão de higiene e proteção, não beije as mãos, o rosto ou os pés do recém-nascido. Se a mãe estiver mais tensa ou muito sensível, acolha. Os sentimentos estão a mil e ela precisa de espaço para externá-los, sem repressões ou censuras.

* Vez ou outra, mande uma mensagem para saber com ela e o bebê estão e, se achar que a amizade de vocês permite, ofereça-se para visitá-la outras vezes, com o intuito de ajudar no que ela precisar. Muitas mães não contam com parceiros ou familiares para acompanhá-las nas consultas médicas, por exemplo. Você pode ser um dos apoios de que elas precisam.

Se você trabalha com a primeira infância, não pode deixar de ler este livro, com muitas informações e experiências: “Formação em pré-natal, puerpério e amamentação: práticas ampliadas”. É só fazer o download aqui.

Outra fonte bacana, que mostra experiências de famílias com bebês, é a série “Quando tudo começa”. Assista na íntegra, clicando aqui.

Fonte: Tão Feminino

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