Quem tem medo do Conselho Tutelar?

Algumas famílias e profissionais, além de crianças, não enxergam nos conselhos um recurso para proteção e defesa dos direitos infanto-juvenis. Um livro infantil quer mudar essa visão.

Os educadores Marcos Costa e Lucineide Costa lançaram a obra “Binho: o menino que tinha medo do Conselho Tutelar”.

O objetivo da história, bem ilustrada, é mostrar a importância dos trinta mil conselheiros que atuam em todo o País para proteger a infância brasileira, uma tarefa bastante complexa em uma nação que ainda luta contra o trabalho infantil, a violência doméstica e sexual contra a criança, além de outros graves problemas que impedem um bom desenvolvimento infantil.

Em entrevista ao site Promenino , Marcos conta o que motivou os autores a escrever a obra:

“Na história de Binho, quisemos dar visibilidade aos meninos negros das periferias, que têm medo do Estado. Eles aprendem desde cedo: ‘se você faltar na escola, seu nome irá para o Conselho Tutelar’. Poucas vezes são educados para irem à escola, porque é seu direito ter acesso à educação de qualidade. O livro chama a atenção para um tipo de violência que afeta a vida das crianças e dos adolescentes, poucas vezes é falado: a violência institucional. Violência esta que se manifesta no Estado do ‘vigiar e punir’ e se materializa não só na ação, mas, sobretudo, na omissão de políticas públicas de saúde, educação de qualidade, esporte, lazer, profissionalização, cultura que efetive a dignidade, o respeito, liberdade e à convivência familiar e comunitária das crianças e dos adolescentes. O medo do Binho mostra o que está na cabeça de muitas pessoas: se o Estado me procurou é porque alguma coisa está errada. Será que não cuidei do meu filho? Não paguei a taxa? Não regularizei a terra? Não fui um bom pai?”

Vale a pena fazer o download do livro, que é gratuito. É só clicar aqui. Divulgue e compartilhe com as famílias e seus pares da assistência social para que o trabalho dos conselhos tutelares seja reconhecido, melhor realizado e mais utilizado pela população.

Confira também a entrevista completa do autor.

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Comments

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  1. avatar

    Sou um adolescente de 12 anos e morro de medo de ir pro conselho tutelar e perder meus pais.

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