Roteiro de desenvolvimento infantil – A importância da mãe para o desenvolvimento da criança

No mês dedicado às mães, trazemos um roteiro sobre o papel da maternidade no desenvolvimento infantil. A ideia é que você possa ter novas informações para inspirar a estruturação de ações, programas, campanhas ou políticas públicas focadas na parentalidade exercida pelas mulheres para que a criança vivencie o acolhimento e vínculo tão importantes ao seu bem-estar. É só clicar nos links destacados em azul.

Nós entendemos – e reforçamos – que o pai tem função essencial na vida da criança (pag. 70-82), antes mesmo de ela nascer. No entanto, hoje nosso foco será a figura da mãe.

Uma pesquisa realizada pelo IBGE revelou que, nas entrevistas colhidas e análises feitas, no Brasil, em 2015, a mulher foi considerada o alicerce da criança. Além da gestação de 9 meses, a figura feminina (mãe, tia, avó) é a principal responsável pelos ensinamentos básicos dentro de casa.

Em 2015, das 10,3 milhões de crianças com menos de 4 anos, mais de 80% delas (cerca de 8,6 milhões) tinham como primeira responsável uma mulher, especialmente na faixa de 18 a 29 anos. Os homens aparecem nesse papel na faixa entre 30 a 39 anos.

Mas a ideia de que a mãe assume o papel principal na primeira infância da criança é reforçada pela sociedade, segundo especialistas. Um exemplo são as consultas no pediatra. Ainda é comum o profissional dirigir-se à mãe para dar opiniões ou orientações. Nas reuniões da escola, as mulheres são a grande maioria presente – pág. 76 – 79.

Cuidados na gestação
O vínculo da mãe com o filho é o primeiro a ser criado. Cuidar da gestação é, também, cuidar do bem-estar do feto e de um nascimento equilibrado e saudável, essenciais ao desenvolvimento da criança – pag. 40-65.

Um dos aspectos que as políticas públicas pouco atuam é o psicológico, um item que, com certeza, é de grande importância na gravidez. A ideia de um pré-natal psicológico já foi pauta de muitas discussões e de ações para responder a essa necessidade. Arrais, um dos especialistas no tema, acredita que o pré-natal psicológico deva ser uma prática complementar ao biomédico, com a função de também integrar os familiares nos cuidados que precisam ser tomados nessa fase.

No Brasil, estamos distantes desse cuidado. É só olhar para os números:

 

Algumas consequências desses problemas podem ser:

 

Por isso, é importante que avaliações da saúde mental de gestantes sejam realizadas nos serviços públicos de saúde, possibilitando a prevenção e aumento dos transtornos no pós-parto.

Alguns passos decisivos para que o pré-natal psicológico se torne realidade em nosso País são:

  • Contratação de profissionais da psicologia especializando-se nessa área
  • Formação dos profissionais que atuam no serviço de saúde público
  • Formação dos profissionais de programas de visitas domiciliares para também observar esse aspecto da gestação.

 

O parto
Defendemos que a escolha do tipo de parto deva ser uma decisão da mãe em conjunto com o especialista. No entanto, para que essa opção seja consciente e baseada em argumentos científicos, é essencial que essa mãe receba todas as informações de que precisa para decidir.

Esclarecer a mulher sobre os tipos de parto, as diferenças, vantagens e desvantagens de cada um, é papel da área da Saúde, que tem de estar devidamente instruída para isso.

A mulher tem o direito a um parto humanizado e a eleger quem estará presente ao nascimento. Se essa pessoa for o pai, é importante estimulá-lo a participar, o que vai gerar mais confiança à futura mãe.

No nascimento, e depois dele, o apoio dos adultos de referência deve continuar para que possam assumir o seu papel no desenvolvimento do bebê, especialmente nos primeiros anos de vida.

Amamentação e pós-parto
Um dos aspectos mais importantes nessa fase inicial é a amamentação. O leite materno, essencial à saúde do bebê, também favorece o vínculo da criança com a mãe. Apoiá-la e ajudá-la a amamentar, envolvendo o parceiro nesse processo, sempre que possível, fará toda diferença durante o aleitamento.

Vale ressaltar que o ambiente é fator preponderante para o bem-estar do bebê, especialmente na fase do nascimento aos três anos, quando se inicia a construção da arquitetura do cérebro. Caso a criança não receba afeto nem bons estímulos, não consiga estabelecer vínculos sadios, viva em ambientes estressantes, de pouca tranquilidade, por longos períodos, essa arquitetura estará comprometida e suas chances de ter problemas futuros, que afetem a saúde física e mental, serão maiores.

Outra questão que deve estar no foco das políticas públicas de primeira infância é a depressão pós-parto, assim como o “luto” que muitas mulheres vivenciam. Enquanto algumas sentem alegria pela chegada do filho, uma boa parte de mães de recém-nascidos está confusa, tristonha, angustiada, achando esse período muito difícil, parecendo que nunca vai acabar. Esse é o chamado luto, quando a pessoa deixa de ser mulher, simplesmente, e passa a ser mulher e mãe.

A mãe que se sente em luto está elaborando perdas simbólicas, como não ter tido o parto do jeito que planejou ou perceber seu corpo transformado ou ter de rever um plano de carreira ou, ainda, se deparar com a dificuldade de amamentar.

Os profissionais que atuam com essas mães precisam ser sensíveis à escuta e estar preparados para acolhê-las e ajudá-las a vencer o luto, cada uma no seu tempo. Por isso, algumas estratégias, como rodas de conversa, grupos de preparação à amamentação, envolvimento do parceiro nas consultas pediátricas, são essenciais.

Estas e outras iniciativas podem ajudar a promover uma parentalidade positiva nas mães, que contribua ao bom desenvolvimento da primeira infância. Pense nisso e invista em políticas públicas que fortaleçam o papel da mãe em sua cidade ou estado.

Leia mais

Vera Iaconelli fala sobre as relações mãe, pai e filhos nesta entrevista exclusiva

Amor de mãe é bom demais e ajuda a desenvolver o cérebro da criança

Confira a página Desenvolvimento Infantil, da Fundação Maria Cecilia, no canal do Youtube. Acesse, assine o canal e compartilhe o que é preciso saber sobre a primeira infância.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*