Roteiro de desenvolvimento infantil – Muitas crianças ficam em casa no lugar de frequentar creches. Isso impacta o desenvolvimento?

Neste post, você acessa links (destacados em azul) de livros e documentos que trazem mais subsídios para aprofundar o tema de uma pesquisa do IBGE sobre as questões de desigualdade que já aparecem nos primeiros anos de vida, especialmente no uso de um direito que é de todas as crianças: as creches.

Destacamos aqui os principais achados do suplemento “Aspectos dos cuidados das crianças de menos de 4 anos de idade”, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2015, realizada pelo IBGE e divulgada no final de março de 2017, com base no que foi publicado pela instituição. A pesquisa mostra que:

  • O rendimento médio mensal domiciliar per capita das crianças com menos de 4 anos que permaneciam, de segunda a sexta, de manhã e de tarde, no local onde moravam (R$ 550) representava 56,6% do daquelas que frequentavam creche ou escola (R$ 972).
  • A maioria (74,5% ou 6,8 milhões) permanecia no domicílio em que residiam, sob os cuidados de um dos seus responsáveis, enquanto 16,6% (1,4 milhão) delas ficavam em creche ou escola de manhã e/ou de tarde.
  • 61,8% dos responsáveis pelas 7,7 milhões de crianças nessa faixa etária, que estavam fora da creche ou escola, tinham interesse em conseguir uma vaga (4,7 milhões). Esse percentual era menor nas classes de rendimento médio domiciliar per capita mais altas, chegando a 54,4% entre os que recebiam três salários mínimos ou mais.
  • Na classe sem rendimento e até menos de ¼ do salário mínimo, essa proporção era de 61,5%.
  • O interesse dos responsáveis por matrícula em creche ou escola crescia com o aumento da idade da criança.
  • 49,1% dos responsáveis por crianças de menos de 1 ano tinham esse interesse; para os adultos de referência de crianças com 3 anos, a proporção do interesse alcançava 78,6%.
  • Na maioria dos casos (76,7%), a razão para a criança permanecer durante todo o dia em determinado local, que não a creche, era o fato de o ambiente escolhido oferecer as melhores condições de cuidados, alimentação, afeto e segurança para ela.
  • A maioria das crianças com menos de 4 anos (87,9%) tinha duas pessoas como responsáveis. Para 83,8% (8,6 milhões) delas, a primeira pessoa responsável era do sexo feminino. A região Sul foi a que apresentou a maior proporção de homens nessa condição (20,7%), enquanto a Nordeste registrou a menor (11,9%).
  • Em 2015, das 10,3 milhões de crianças de menos de 4 anos, 84,4% (8,7 milhões) normalmente permaneciam, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa.
  • Das 8,7 milhões de crianças de menos de 4 anos que normalmente permaneciam, de segunda a sexta-feira, de manhã e de tarde, no mesmo local e com a mesma pessoa, 78,6 % (6,8 milhões) ficavam no domicílio em que residiam, 4,4% (380 mil) ficavam em outro domicílio, 17,1% (1,5 milhão) ficavam em outro local, sendo creche ou escola com 16,6% (1,4 milhão) e outra instituição ou local com 0,5% (42 mil).
  • Quanto mais nova a criança, maior o percentual de permanência no mesmo lugar e com a mesma pessoa ao longo do dia. Para aquelas com menos de 1 ano, esse número alcançava 95,1%, enquanto que, entre as de 3 anos, essa proporção baixava para 70,1%.
  • Além da maior parte das crianças ficarem durante todo o dia no domicílio em que residiam, seus cuidados eram principalmente exercidos por uma das pessoas apontadas como responsável por ela (74,5% ou 6,8 milhões).
  • 314 mil (3,6%) crianças ficavam em outro domicílio sob os cuidados de um parente e 216 mil (2,5%) permaneciam no domicílio em que residiam sob os cuidados de uma pessoa não moradora desse domicílio.
  • Apenas 1,4 milhões de crianças (16,6%) permaneciam sob os cuidados oferecidos em creche ou escola no período da manhã e da tarde.

 

Importante refletir sobre o que a matéria no Jornal O Estado de São Paulo traz da pesquisa, com falas de especialistas. Para Eduardo Marino, gerente da área de conhecimentos aplicados da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, não seria preocupante as crianças de até 4 anos não estarem matriculadas em escolas ou creches se tiverem em casa um ambiente saudável, seguro e com estímulos para seu desenvolvimento. “Mas, infelizmente, a pesquisa traz alguns dados que mostram que essa não é a realidade de todas as crianças. Muitas moram em casas sem acesso à rede de esgoto, com famílias em situação de pobreza e com baixo nível de escolaridade.”, comenta.

Texto extraído do site do IBGE

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