Roteiro de desenvolvimento infantil: obesidade e desnutrição na mira das políticas públicas

Livros, artigos e documentos que compartilhamos aqui tratam desse problema que atinge o mundo, inclusive o nosso país. É preciso pensar em políticas públicas que não só orientem as famílias, mas que deem novas direções à publicidade e ao consumo de alimentos pelos pequenos. Clique nos links destacados em azul para acessar os conteúdos.

No mundo, 1,9 bilhão de pessoas estão acima do peso, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS). No universo infantil, 600 milhões de crianças são consideradas obesas. Por outro lado, cerca de 2 bilhões de pessoas, em todo o planeta, apresentam deficiências de micronutrientes, sendo 156 milhões de crianças, até cinco anos de idade, vítimas da desnutrição crônica, e 50 milhões apresentam desnutrição aguda (baixo peso para a altura).

O problema é que, justamente nessa fase da vida, acontecem as formações físicas, neurológicas e de hábitos alimentares que os pequenos levarão para a vida adulta. A nutrição inadequada pode gerar consequências ruins ao bem-estar presente e futuro da criança, como:

  1. Perda muscular e dos depósitos de gordura, provocando debilidade física.
  2. Emagrecimento ou obesidade.
  3. Desaceleração, interrupção ou até mesmo involução do crescimento.
  4. Alterações psíquicas e psicológicas, deixando a criança mais retraída, apática e triste.
  5. O cabelo perde a cor (fica mais claro) e a pele descasca e fica enrugada.
  6. Pode haver alterações sanguíneas, provocando doenças, como a anemia.
  7. A má formação também pode ser grave devido às alterações ósseas.
  8. Os estímulos nervosos ficam prejudicados e o número de neurônios diminuídos.
  9. Também pode ocasionar alterações nos demais órgãos e sistemas respiratório, imunológico, renal, cardíaco, hepático, intestinal etc.

Para combater os altos índices, o Opas divulgou o Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina e Caribe, com dados relacionados à América Latina:

  1. 7,2% das crianças menores de cinco anos estão com sobrepeso, o que representa um total de 3,9 milhões de crianças
  2. 2,5 milhões dessas crianças moram na América do Sul
  3. 1,1 milhão dessas crianças vive na América Central
  4. 200 mil crianças nessas condições estão no Caribe

 

Um dos instrumentos que a Opas disponibiliza para identificar bebidas e alimentos com excesso de componentes prejudiciais à saúde é o modelo de perfil nutricional, para auxiliar os países na criação de estratégias que previnam e controlem o excesso de peso e a subnutrição, desde a infância.

Segundo o IBGE, no Brasil, cerca de 36,6% das crianças estão acima do peso. Os índices de obesidade também estão num patamar elevado, crescendo muito nos últimos 35 anos. Em 1974, apenas 1,4% das crianças eram obesas, saltando para 16,6% em 2009. Verificou-se, ainda, que há mais crianças obesas nas localidades urbanas e na região Sudeste do Brasil.

Embora os números sejam preocupantes, nosso país tem avançado no combate à obesidade e desnutrição. Uma das ações para isso foi a recente promulgação da lei que proíbe a publicidade de substitutos do leite materno e regula a de outros alimentos voltados para mães e crianças de até dois anos, contida na Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCal).

Outros países da América Latina também estão combatendo o problema. Barbados, Dominica e México definiram impostos sobre bebidas com açúcar. Bolívia, Chile, Peru e Equador possuem leis de alimentação saudável para regular a publicidade e os rótulos dos alimentos.

O grupo dos representantes das nações da América Latina está discutindo a implementação da Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição (2016-2025), que incentiva o acesso universal a dietas mais saudáveis e sustentáveis, para erradicar a fome e acabar com todas as formas de má-nutrição. O programa foi lançado em 2016, na Assembleia Geral da ONU.

Municípios e estados também podem criar políticas públicas e campanhas de conscientização da população sobre sua responsabilidade pela nutrição das crianças, o que vai colaborar para que os índices de obesidade e desnutrição infantis do País possam diminuir radicalmente, especialmente na primeira infância.

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