Roteiro de desenvolvimento infantil – Tecnologia e infância combinam?

Acesse aqui documentos, matérias, livros e vídeos sobre este tema. Com certeza, você terá mais subsídios para embasar respostas a questões que frequentemente aparecem nas discussões sobre o que é e não é bom para a criança, inserida no contexto dos avanços tecnológicos, e também tomar as melhores decisões. Clique nos links em azul para navegar nas informações.

A tecnologia está aí e faz parte do universo das novas gerações. No entanto, até que ponto ela contribui ao desenvolvimento infantil? O psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do grupo de dependência tecnológica do Hospital de Clínicas de São Paulo, acredita que a exposição precoce à tecnologia pode criar uma geração de alienados incapaz de se relacionar com outras pessoas, ou seja, os vínculos tendem a ser afetados.

Para ele, a atração que jogos e outros artefatos tecnológicos exercem sobre os pequenos acaba por isolá-los do convívio com o outro. “É na infância que a gente começa a aprender o que se chama popularmente de inteligência emocional, que é a capacidade de empatizar, se colocar no lugar do outro. A criança que está ligada à tecnologia não tem isso”, afirma.

Mas a tecnologia pode criar vínculos da criança com o adulto, não é? Sim, mas saber a dosagem é importante. Escolher as ferramentas para isso faz diferença. O e-book é uma opção bacana, que os pais e cuidadores podem usar para contar histórias aos pequenos. No entanto, esse acessório não deveria substituir os livros impressos, mas complementá-los. Um estudo mostrou que crianças cujos pais liam somente histórias em e-books tiveram compreensão de leitura menor do que as que usaram também livros, talvez por ficarem mais focadas no aparelho do que na história.

Outra questão é a idade ideal para introduzir a tecnologia na vida das crianças. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que se deve “desencorajar, evitar e até proibir a exposição passiva em frente às telas digitais, com exposição aos conteúdos inapropriados de filmes e vídeos, para crianças com menos de 2 anos, principalmente, durante as horas das refeições ou 1-2 h antes de dormir”.

Um dos motivos para tal cuidado é o crescimento cerebral acelerado que o contato frequente com os dispositivos tecnológicos pode causar. Entre zero e dois anos de idade, o cérebro da criança triplica de tamanho e continua em estado de desenvolvimento acelerado até os 21 anos de idade (Christakis, 2011).

O desenvolvimento cerebral infantil é determinado pelos estímulos do ambiente ou a ausência deles. O estímulo de um cérebro em desenvolvimento causado por superexposição a tecnologias (celulares, internet, iPad, TV) é associado ao déficit de funcionamento executivo e de atenção, atrasos cognitivos, prejuízo da aprendizagem, aumento da impulsividade e diminuição da capacidade de se autorregular, como controlar a raiva, por exemplo (Small, 2008; Pagini, 2010).

Ou seja, o que os especialistas sugerem não é proibir totalmente nem liberar tudo. Até dois anos, a orientação é a de restringir o contato. Depois disso, o tempo e a qualidade do conteúdo acessado pelas tecnologias fará toda diferença. No entanto, sabemos que brincar com a criança, além de ser um direito, sempre é uma opção mais saudável, especialmente quando esse brincar é livre, na natureza e com interações bacanas com outras crianças e com adultos de referência.

“Brincar tem o potencial de introduzir conceitos ou conhecimentos, desenvolver a criatividade e ajudar a criança a assimilar emoções ou vivências”, afirma Adriana Friedmann, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo (Nepsid).

Outra dica para seguir um caminho mais assertivo sobre o uso de tecnologias na infância é convidar os pais e cuidadores a responder estas questões, propostas pela especialista em educação e tecnologia, Adriana Martinelli de Carvalho:

“Por que meu filho deseja utilizar dispositivos digitais? O que eu acho que ele aprende com isso? Como posso me aproximar dele utilizando esses dispositivos? Qual o impacto que os dispositivos digitais podem ter na dinâmica da minha família? Onde pode beneficiar e onde pode atrapalhar? Um debate sobre como educar os filhos hoje nesse mundo conectado, sabendo que ele precisará ser um cidadão conectado para viver e intervir nesse mundo é um bom começo para as respostas emergirem”.

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