Uma educação que valorize os incríveis bebês

Bebês são fofos e despertam em nós sentimentos de ternura. No entanto, tratá-los como seres totalmente passivos, sempre à espera de alimento e cuidado, é permanecer distante do que, de fato, eles são. Claro que dependem de nós para viver, mas, ao mesmo tempo, possuem capacidades incríveis. As descobertas científicas comprovam isso e podem pautar a dinâmica nas creches e espaços educativos voltados aos pequenos, com atividades que respondam as suas necessidades de desenvolvimento.

O que nos faz pensar que as crianças de hoje são mais “espertas” que as de antigamente? Será que, no passado, por não lhes darmos a devida importância e, consequentemente, menos estímulos e vínculos de qualidade, não abrimos espaços para que se mostrassem claramente suas capacidades? Uma reflexão e tanto!

Outro tema a se pensar é sobre o quanto descobrir que os pequenos são mais espertos do que pensávamos está nos levando a exagerar nos estímulos que oferecemos, querendo que andem, saiam das fraldas, falem, leiam, escrevam e tenham vida social ativa (agenda cheia) bem antes do que realmente deveriam. Embalados por esse entusiasmo, talvez causemos agitações e angústias desnecessárias. Sim, os bebês têm mais capacidades do que imaginávamos, mas ainda permanecem bebês. Precisam brincar, ter momentos de ócio, de sossego, interagir, chorar, rir…

Para garantir que o bebê tenha espaços qualificados de desenvolvimento nas creches, as descobertas sobre as capacidades dos bebês podem ajudar a construir uma escola a partir deles e para eles, com base no que é esperado ao seu desenvolvimento.

Já se sabe que até os três anos, o cérebro está no auge de sua formação. A interação com o ambiente e a estimulação de qualidade vão permitir a construção das sinapses – que podemos dizer, de forma simplificada, que é o aprendizado. Se o bebê recebe estímulos adequados nessa fase, mais sinapses serão formadas sobre diferentes assuntos e o pequeno terá facilidade de lidar com esses temas no futuro.

Veja algumas descobertas da ciência sobre os bebês:

1. Aos 18 meses, sem falar ainda, eles já têm um grande repertório de experiências. Conseguem, por exemplo, entender quais as preferências do outro. Se você demonstrar que gosta mais de brincar de carrinho do que de bola, provavelmente o bebê vai atrás do carrinho para oferecê-lo a você.
2. Eles são muito solidários e empáticos. Isso justifica porque quando um bebê ouve outro chorar, sua tendência é chorar também.
3. Aprendem com facilidade outras línguas, mas não ouvindo outros falarem ou DVDs de desenhos estrangeiros. Por volta dos nove meses, eles podem ter interesse por outra língua quando um adulto estimulá-los para isso. Ou seja, aprendem a partir da interação.
4. Tem conhecimentos matemáticos avançados. Ao ouvirem duas pessoas conversando em um ambiente onde há vários grupos, formados por quantidades diferentes de participantes, a tendência do bebê é olhar para o grupo em que há dois adultos. Ou seja, já fazem relações.

A matéria que inspirou este post, da Revista Educação, traz as pesquisas que comprovam as habilidades dos pequenos, que citamos aqui.

O mais importante é ter noção clara de que eles são capazes de aprender sempre e dar espaço para que isso aconteça, na creche, em casa e nos lugares que frequentam. Mas mantendo o cuidado de respeitar o seu tempo, ritmo e o fato de que, por mais inteligentes que sejam, eles são bebês.

Sobre como e o que estimular, ficam estas dicas de leitura:

Linguagem de bebês: manual de estimulação (Editora Juruá), de Lígia Ebner Melchiori, professora doutora do Departamento de Psicologia da Unesp.
Os saberes e as falas de bebês e suas professoras (Editora Autêntica), de Tacyana Karla, Professora com Mestrado e Doutorado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Formação em Educação Infantil (zero a três anos), vários autores, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

Foto: Shutterstock

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