Vamos falar do impacto da violência e abuso sobre as crianças mais pobres

Sabemos que a pobreza é um fator de risco para o desenvolvimento da criança, mas um novo estudo mostrou a relação entre altas taxas de pobreza com situações de abuso infantil.

A pesquisa americana “Mortalidade: Pobreza Comunitária e Abuso de Crianças nos Estados Unidos“, publicada na edição de maio da Pediatrics, analisou 11.149 crianças com idades em torno dos 4 anos, que foram mortas vítimas de abuso, constatando que essas taxas de mortalidade aumentaram com as taxas de pobreza.

Esses resultados são um alerta para nós, afinal, a realidade brasileira também preocupa: mais de 17,5 mil crianças e adolescentes podem ter sido vítimas de violência sexual no Brasil em 2015, quase 50 casos por dia. Esses números se referem às denúncias feitas ao Disque 100, sem mensurar os casos não revelados.

As políticas públicas de primeira infância precisam ater-se a formas de combater essa violência, respeitando os direitos definidos no Marco Legal da Primeira Infância e na Lei 9.970, que instituiu o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual Infanto-Juvenil.

Vale ressaltar que as meninas são as principais vítimas, com 54% dos casos denunciados. A faixa etária mais atingida é a de 4 a 11 anos, com 40%. Negros e pardos totalizam 57,5%. Ou seja: uma boa parte está concentrada na primeira infância de famílias em situação de vulnerabilidade.

Como já sabemos, os primeiros anos de vida são determinantes para a formação do cérebro e, consequentemente, da personalidade e saúde mental e física do indivíduo. Imagine como isso se dará em condições adversas, como a da violência e abuso sexual?

Nossa responsabilidade, como sociedade, é enorme. Por isso, o que puder ser feito para combater e minimizar o problema tem de ser considerado pelos gestores públicos e formuladores de políticas públicas.

Alguns documentos e conteúdos podem ajudá-los nesse sentido:

 

Fontes: Instituto Pensi; Agência Brasil

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Comments

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  1. avatar

    Fui abusada com dez anos de idade.Hoje com 39, sofro as consequências desse abuso.ja tentei desde de suicídio até sofrer de Mitomania. Hoje sou bem sucedida, apesar de ainda arcar as consequência de tudo que passei. Mas gostaria de entrar nessa luta e ajudar tantas crianças que sofrem com esse ato perverso.

    • avatar

      Mithla, obrigada pelo seu corajoso depoimento. Bom saber que, apesar de tamanha violência, você venceu e está aprendendo a lidar com as sequelas do que viveu. Sua experiência de superação pode, com certeza, ajudar muitas pessoas a vencerem dificuldades semelhantes. Procure organizações focadas especialmente no tema, como a Abrinq ou a Childhood Brasil. Elas poderão orientá-la de como contribuir para melhorar o bem-estar de crianças e jovens que passaram por isso. Abraços e sucesso a você!

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