Violência obstétrica, mais comum do que você imagina

Esse tipo de violência ainda atinge muitas mulheres e bebês nos quatro cantos do país, apesar de campanhas de conscientização e literatura disponível sobre a importância de se humanizar o parto para garantir o bem-estar da mãe e da criança. Na sua atuação junto à Primeira Infância, provavelmente já tenha se deparado com situações em que a violência obstétrica é evidente assim como tenha escutado as queixas de muitas mães.

O que fazer então para ajudar a mudar essa realidade? Educar, conscientizar e incentivar as mães a denunciarem e fazerem valer os seus direitos.

Vale lembrar que não é só a mãe que sofre com o problema. O bebê também é vítima indefesa dessa violência absurda. As consequências, que podem ser físicas e/ou psicológicas, influenciarão negativamente a vida da mãe e da criança, causando males muitas vezes irreversíveis.

Mas, o que é considerado violência obstétrica? Listamos aqui algumas situações. Compartilhe-as com as gestantes no seu trabalho na área da Saúde ou da Assistência Social:

– Impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência durante o parto, um familiar ou pessoa de seu círculo social.

– Tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombateira.

– Tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, como se ela fosse incapaz.

– Submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica na sala, com portas abertas.

– Impedir a mulher de se comunicar, tirando-lhe a liberdade de telefonar, caminhar até a sala de espera.

– Fazer graça ou recriminar a gestante por qualquer característica ou ato físico (obesidade, pelos, estrias, evacuação).

– Fazer graça ou recriminar comportamentos como gritar, chorar, ter medo e vergonha.

– Fazer qualquer procedimento sem explicar antes o que é e sem pedir permissão.

– Submeter a mulher a mais de um exame de toque (que só deve ser feito se for estritamente necessário), sem o seu consentimento, mesmo que para ensino e treinamento de alunos.

– Dar hormônios para tornar mais rápido e intenso um trabalho de parto que está evoluindo normalmente.

– Cortar a vagina (episiotomia) da mulher quando não há necessidade (o procedimento cabe em 5 a 10% dos partos).

– Dar um ponto na sutura final da vagina de forma a deixá-la menor e mais apertada para aumentar o prazer do cônjuge.

– Subir na barriga da mulher para expulsar o feto (manobra de Kristeller).

– Submeter a mulher e/ou o bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes e residentes.

– Permitir a entrada de pessoas estranhas ao atendimento, quer sejam estudantes, residentes ou profissionais de Saúde, principalmente sem o consentimento prévio da mulher e de seu acompanhante, que podem recusar o procedimento.

– Fazer uma mulher acreditar que precisa de uma cesariana quando ela não precisa.

– Dar bronca, ameaçar, chantagear ou cometer assédio moral contra qualquer mulher/casal por qualquer decisão que tenha(m) tomado, quando essa decisão for contra as crenças, a fé ou os valores morais de qualquer pessoa da equipe.

– Submeter bebês saudáveis a aspiração de rotina, injeções e procedimentos na primeira hora de vida, antes que tenham sido colocados em contato pele a pele e de terem tido a chance de mamar.

– Separar bebês saudáveis de suas mães sem necessidade clínica.

 

Mas, o que fazer se alguma dessas atitudes acontecer com a mãe? Ela deve denunciar o ocorrido, exigindo a cópia de seu prontuário no hospital e escrever uma carta detalhada com tudo o que aconteceu, enviando-a para a ouvidoria do hospital, para a diretoria clínica, para as Secretarias Municipal e Estadual da Saúde, se o parto foi no SUS (Sistema Único de Saúde). No caso de partos realizados na rede particular, a carta deve ser encaminhada para a diretoria clínica do hospital, para a Diretoria do Plano de Saúde, para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde.

A conscientização e a denúncia são armas importantes para combater a violência obstétrica. Ajude as mães a terem essa clareza e garantir seu bem-estar e de seu bebê.

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