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A gravidez precoce e o desenvolvimento infantil: um problema social

Além de prejudicar a vida dessas adolescentes, essa situação coloca em risco o seu bem-estar e de seus filhos, podendo comprometer a saúde física e mental de ambos.

Mulheres menores de 18 anos, que engravidam e acabam abandonadas pela família, não são raras. Aliás, são muitas, no mundo e no Brasil. 

No mundo, são 15 milhões de meninas que, anualmente, casam-se antes dos 18 anos como uma solução ao abandono das famílias, que não aceitam a gravidez de suas filhas. A legislação favorece esse cenário, porque permite o casamento.

No Brasil, se os pais autorizarem, a adolescente pode se casar a partir dos 16 anos. Em caso de gravidez, a união matrimonial pode acontecer em qualquer idade.

Segundo o Banco Mundial, no Brasil, 36% da população encontra-se nessa situação. Nosso país é o que tem o maior número desses casos na América Latina e estamos em quarto lugar no ranking mundial.

O problema é que muitas dessas meninas acabam vítimas da violência doméstica e do chamado estupro marital. Outra consequência é o abandono da vida escolar, o que irá impactar no desenvolvimento da mãe precoce, assim como no bem-estar de seu filho, além de interferir no capital humano e em uma menor participação das mulheres no mercado de trabalho.

Para os bebês, a situação também tende a ser desfavorável, com maiores taxas de mortalidade infantil, por exemplo. Além disso, muitas mães pensam na escolha do melhor carrinho de bebê para acomodar seus filhos.

A ciência indica que a formação do cérebro da criança, nos primeiros anos de vida, é influenciada também pelo meio e os estímulos que ela recebe. Em uma situação de violência e negligência, seu desenvolvimento pode ficar comprometido, refletindo na vida adulta.

Por isso, políticas públicas que trabalhem a prevenção da gestação precoce podem cortar na raiz a origem de uma geração de crianças em situação de vulnerabilidade.

A conscientização dos jovens é essencial, mas as famílias também precisam ser apoiadas em caso de gestação de meninas em seu núcleo, evitando o abandono da futura mãe e, consequentemente, da criança que irá nascer.

No site do Ministério da Saúde, é possível encontrar alguns materiais para inspirar procedimentos e intervenções que trabalhem a prevenção. No Guia para profissionais de saúde estão: “Orientações para o Atendimento à Saúde de Adolescentes”, sobre o atendimento como um todo; “Antropometria na Atenção à Saúde de Adolescentes” para avaliação do crescimento e desenvolvimento de adolescentes com os gráficos para acompanhamento; “Estágios de Maturação Sexual – Pranchas de Tanner” para avaliação do desenvolvimento puberal.

A Rede Nacional Nacional Primeira Infância também disponibiliza materiais de apoio para tratar o tema com as gestantes adolescentes e suas famílias.

Para a assistente social Neilza Buarque Costa, assessora da ONG Visão Mundial, em entrevista à revista Cláudia, o País não tem políticas públicas que ajudem a reduzir os casos de gestação precoce. “O assunto é tabu para o governo e a sociedade”.

Fontes: revista IstoÉ e revista Cláudia

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