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  • O Guia Primeira Infância em Pauta traz sugestões de como comunicar a causa

    O Guia Primeira Infância em Pauta traz sugestões de como comunicar a causa

    Depois de alguns meses de trabalho, a Fundação Maria Cecilia lançou um guia ideal para jornalistas, publicitários, comunicadores em geral e porta-vozes da causa junto aos seus públicos.

    “O material foi criado a partir de diversas pesquisas – dentre elas duas encomendadas especialmente por nós, para melhor compreendermos o que a nossa sociedade entende do desenvolvimento na primeira infância – e de informações apuradas em cerca de 200 fontes diferentes, entre estudos, publicações e entrevistas realizadas com profissionais e especialistas da área de comunicação, saúde e educação, brasileiros e estrangeiros”, reforça a gerente de Comunicação da Fundação Maria Cecilia, Roberta Rivellino.

    A ideia é contribuir para que as pessoas envolvidas com o tema tenham subsídios para comunicar a importância dos primeiros anos de vida à sociedade que, empoderada, poderá cobrar mais qualidade das ações focadas nos primeiros anos de vida. Afinal…

    “Por meio da comunicação adequada e bem embasada, é possível ampliar o entendimento sobre os múltiplos aspectos envolvidos no desenvolvimento infantil e sobre o fato de a criança ser uma pessoa em desenvolvimento e um sujeito de direitos[6] que deve ter importância central na sociedade. O conhecimento proporcionado pela comunicação permite à população ser mais crítica e capaz de exig ir mais e melhores políticas públicas voltadas ao desenvolvimento da primeira infância e mais qualidade dos serviços básicos oferecidos à gestante, à criança e à família”. Guia Primeira Infância na Pauta

    O Guia está divido em seis capítulos:

    1. A criança e seu desenvolvimento – tópicos e embasamento científico sobre a importância de uma boa gestação, o desenvolvimento do cérebro no útero e nos primeiros anos de vida, a influência do estresse no bem-estar do bebê, a importância da rotina e porque é preciso garantir uma rede de atendimento acolhedora e humanizada para mãe e bebê.
    2. A criança e os outros – reforçar como as interações e os vínculos afetivos e sociais são determinantes ao bom desenvolvimento infantil. E que a presença da família é crucial, seja ela como for, além de ressaltar o quanto a paternidade ativa faz diferença na vida da criança.
    3. A criança e a aprendizagem – mostrar à sociedade que aprender começa cedo, no útero, e que depende de bons estímulos e de um brincar que abra espaço para descobertas e também interações. Também é fundamental debater a importância da educação infantil e de creches qualificadas.
    4. A criança e a mídia – É preciso mudar o discurso da mídia e colocar a criança no centro da pauta. Hoje o sujeito é o adulto. Neste capítulo, essa discussão traz maneiras de “virar a chavinha” para que os atores principais das abordagens sejam mesmo as crianças.
    5. Mitos e verdades – Uma parte de informações divulgada pela mídia e por outros canais de comunicação ainda está ultrapassada, distorcida ou equivocada. Um discurso positivo e correto pode fazer muita diferença no entendimento da sociedade sobre a primeira infância. Vale saber o que procede e o que não procede nesse discurso.
    6. Caminhos para facilitar a comunicação – Neste capítulo você encontra dicas bem práticas de abordagem do tema. Um exemplo? “Ouça as crianças e leve sempre em conta o contexto em que cada uma vive”. Padronizações e rotulações não agregam, só confundem a opinião pública.

    O Guia não para por aí. Tem um Glossário para esclarecer termos e conceitos menos usuais – mas que são importante de disseminar -, além de um “Para saber mais” com publicações e vídeos cheios de informações sobre a primeira infância.

    Vale a pena baixar e conhecer o documento na íntegra!
    É só clicar aqui!

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    Os desafios que precisamos vencer para uma primeira infância melhor

    A primeira infância do lado de baixo do Equador

  • Como fortalecer a autorregulação da criança?

    Como fortalecer a autorregulação da criança?

    A primeira infância é terreno fértil para a construção de comportamentos e valores, como já falamos muitas vezes neste blog. Nessa fase da vida, o cérebro está pronto para absorver conhecimentos, aprendizados, referências

    Nos primeiros anos, oportunizar formas de a criança se conhecer e estabelecer relações com ela mesma, com o outro e o mundo à volta, aprendendo a mediar suas emoções, fará toda diferença na vida adulta.

    Mas onde começa esse aprendizado? Na família, independentemente de sua configuração.

    Pais e adultos de referência desempenham um papel essencial no processo de autorregulação da criança, ou seja, no desenvolvimento de habilidades de monitorar e modular a emoção, a cognição e o comportamento.

    Tudo para que a criança consiga vivenciar diferentes situações de forma equilibrada e saudável.

    Os especialistas entendem que existem quatro níveis de regulação humana:

    Fisiológica – relacionada ao último período fetal do bebê. São mudanças e controles que se dão ainda no feto.
    Emocional – acontece no primeiro ano de vida, quando o bebê reage às interferências externas. A maneira como vivencia e vence o estresse e a frustração.
    De atenção – se dá durante o segundo ano de vida, quando a criança passa por um amadurecimento na forma como percebe e se atém às coisas e aos acontecimentos, guardando informações na memória.
    Autorregulação – acontece durante os anos pré-escolares, quando a criança desenvolve seu comportamento, as formas de se adaptar a diferentes situações e as funções executivas (clique aqui e leia sobre essas funções).

    Pais e familiares precisam receber apoio para que possam contribuir positivamente a essa fase de seus filhos. Caso contrário, adultos inseguros, dependentes, agressivos, inconsequentes podem prevalecer em nossa sociedade.

    Por exemplo, os adultos precisam ter clareza de que autoritarismo, permissividade e negligência são inadequados nesse processo de formação da criança que, na verdade, precisa de disciplina e comando, balanceados com carinho, atenção positiva, encorajamento, elogios e sensibilidade às suas necessidades.

    Programas e políticas públicas, que possam apoiar os pais nesse sentido, levam a ótimos avanços no processo de construção da autorregulação na primeira infância.

    No Brasil, uma iniciativa bem-sucedida é o Projeto Parceria, um programa que apoia mães que sofreram violência doméstica. A ideia é mostrar a essas mulheres práticas efetivas que ajudem a criar seus filhos para que tenha comportamentos positivos, apesar da experiência de violência conjugal que vivenciaram na infância.

    No geral, programas sociais de educação parental precisam levar em conta:

    • As normas do contexto em que essas famílias estão inseridas
    • A importância do envolvimento das pessoas da comunidade
    • A diversidade dos pais e adultos de referência
    • Uma gama de métodos para atender as necessidades de diferentes famílias e crianças
    • A promoção do empoderamento e da autoconfiança dos pais

    Você conhece algum programa que contemple esses tópicos e promova a parentalidade positiva, ajudando a desenvolver a autorregulação da criança? Compartilhe aqui!

    Fonte: Fundamentos da Família como Promotora do Desenvolvimento Infantil – Parentalidade em Foco, Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal (páginas 70 a 82)

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    Um guia de parentalidade para inspirar políticas públicas de cuidado a famílias

    Todas as famílias exercem parentalidade. Você sabe o que é isto?

  • Melhores momentos do VII Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância

    Melhores momentos do VII Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância

    Já estamos com saudades das palestras, discussões e interações vivenciadas há uma semana, no dia 7 de novembro de 2017, em Fortaleza, CE.  Se você nos acompanhou de alguma forma naquele dia, esta é a hora de recordar! (clique nos links destacados em azul para acessar os vídeos das palestras)

    Cerca de 400 pessoas estavam presentes quando Dario Guarita Neto, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Maria Cecilia, abriu o evento, seguido pela primeira-dama, Onélia Leite.

    Ambos destacaram a importância de se discutir e compartilhar os avanços da ciência para que as políticas públicas focadas nos primeiros anos de vida sejam, de fato, eficientes, fortalecendo a base da sociedade. Ceará é um dos estados que apresenta bons resultados nesse sentido e está cada vez mais empenhado em realizar ações integradas entre as diferentes áreas para que a criança e a família recebam o suporte de que precisam para favorecer a primeira infância local e do País. Uma das estratégias adotadas pelo Estado é a de trabalhar, ativamente, em sintonia com os municípios. Ao mesmo tempo, é preciso estabelecer parcerias entre o poder público e as organizações sociais para que mudanças efetivas aconteçam e transformem vidas.

    Daniel Becker – “A criança como valor para a sociedade”
    O pediatra abriu o ciclo de palestras e foi enfático sobre a urgente necessidade de a sociedade priorizar a primeira infância se quiser torna-se próspera e sustentável. Dr. Becker também ressaltou que a família precisa receber um olhar diferenciado, porque é no seu meio que se dão as primeiras interações, vínculos e formação da personalidade do indivíduo. Ele lembra que a tecnologia, muitas vezes, vem ocupando o lugar das relações humanas, assim como a terceirização do cuidado da criança. Outro aspecto que sua palestra abordou foi o brincar. “As crianças brincam menos. Há recreios nas escolas cada vez mais curtos. Não existe contato com a natureza. A energia que elas naturalmente têm acaba canalizada para os eletrônicos. Elas vivem exiladas de sua imaginação. O ócio também não é respeitado.” Para o doutor, programas de visitação domiciliar, como a estratégia Saúde da Família, são eficientes: “Atingem 120 milhões de pessoas e tem um potencial enorme para a melhoria da saúde do Brasil, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) que é um núcleo de investimento riquíssimo na primeira infância”. Veja o que mais Dr. Daniel pensa do tema, acessando aqui a entrevista que ele deu ao blog.

    Luciana Aguiar – “Desenhando políticas públicas em que o indivíduo vem em primeiro lugar”
    A Gerente de Parcerias para o Setor Privado do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) começou sua palestra dizendo que 75% das crianças com menos de quatro anos estão fora da escola. Ela ressaltou que pouco investimento nessa fase da vida resulta em níveis educacionais sofríveis, doenças crônicas e baixa produtividade. Diante de uma realidade ainda desfavorável, como faremos para cumprir a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para 2030? Como não deixar nenhuma criança para trás? Ao mesmo tempo ela lembra que investir nos primeiros anos de vida pode levar à construção de um Brasil melhor, e de consequentemente de um planeta mais justo. Prova disso são pesquisas que indicam que a cada dólar aplicado em políticas públicas de primeira infância serão economizados sete dólares em políticas para adultos, ou seja, evitam-se gastos para consertar ou minimizar as consequências das negligências na infância. Ela cita soluções bem-sucedidas em países com perfil de desenvolvimento semelhante ano nosso, e aponta a tecnologia como uma ferramenta poderosa na aceleração desse processo de mudança, porque promove a escala. Lembra que qualquer solução precisa de monitoramento e avaliações constantes para ajustes de processos que promovam bons resultados. “O desenho de novas soluções é necessário. Não chegaremos aonde queremos chegar fazendo mais do mesmo. Precisamos olhar para políticas públicas no longo prazo e ver na primeira infância a oportunidade de transformação”, ressalta.

    Ana Lucia Lima e Marcia Machado – “A família e a criança no centro das políticas públicas e programas”
    A pesquisadora Ana Lucia, diretora de consultoria especializada Conhecimento Social – Estratégia e Gestão, apresentou a pesquisa “Primeiríssima Infância Creche – Necessidades e interesses de famílias e crianças”, realizada pela Fundação Maria Cecilia e o Ibope. Mostrou de que forma ela foi estruturada e os principais resultados, além de destacar que especialistas em primeira infância debruçaram-se sobre o documento para fazer uma análise robusta dos principais dados colhidos. A questão inicial é que a desigualdade começa na creche, por conta do acesso. Afinal, a maior parte das crianças que a frequenta não é de famílias mais vulneráveis – as que mais precisam desse espaço de desenvolvimento para seus filhos. A percepção das famílias sobre o papel da creche no desenvolvimento dos filhos, a importância que ela tem ao estabelecer rotinas, de que forma pais e adultos de referência percebem a qualidade desse serviço, como o grau de instrução, a profissão e o nível socioeconômico dos pais ou responsáveis interferem na forma como estes veem esse espaço educacional, dentre outros dados, são aspectos que a pesquisa levanta e analisa. Você pode acessar tudo isto, clicando aqui e fazendo o download do documento.

    Márcia Machado, Pró-Reitora de Extensão, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará, trouxe o exemplo de programas de visitação familiar como uma das soluções para fortalecer a primeira infância, já que coloca o sujeito no centro de sua atenção (a criança e a família). Mas levanta algumas questões que precisam ser trabalhadas. A pesquisa que a universidade realizou revelou que muitos agentes de saúde têm dificuldade de falar de vínculo com as famílias que visitam. Isto porque não viveram essa realidade nas suas infâncias. “Como dar o que você não tem?”, questiona a especialista. Ela ressalta a implementação do Programa Primeira Infância Melhor (PIM), no RS, em que mães voluntariamente se candidataram para participar da formatação da proposta. As visitas domiciliares foram filmadas pelos agentes, devidamente capacitados, que depois identificavam pontos positivos das relações parentais daquele núcleo. A partir deles, interagiam com os pais para fortalecer o que estava sendo bem feito e o que precisava mudar na construção dos vínculos com a criança. Foram oito visitas que construíram essa relação com a família e da família com a criança a partir da realidade de cada uma. Cada intervenção era uma resposta a uma questão daquela família. Essa individualização faz toda diferença e é um ponto forte para o sucesso do programa.

    Ana Carolina Vidal – Lançamento do “Guia Primeira Infância em Pauta”
    Logo após o almoço, Ana Carolina, da Fundação Maria Cecilia, lançou, em nome da organização, um guia com orientações para aprimorar a comunicação sobre essa fase fundamental da vida. Voltado a lideranças públicas, jornalistas e profissionais de Comunicação, profissionais focados na primeira infância (agentes de saúde, professores, assistentes sociais etc.), traz subsídios na elaboração de textos, reportagens, aulas, vídeos, folders e outros veículos para comunicar e disseminar a causa. O guia completo você acessa clicando aqui .

    Claudia Costin e Jennifer Guevara – “Desafios e oportunidades na implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC)”
    Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais e professora da FGV-RJ, abriu a tarde falando da BNCC. Ela lembrou que a educação começa nas interações cotidianas da mãe com o bebê e familiares, mas é uma responsabilidade compartilhada entre escola e famílias. Para ela, muitas crianças já foram deixadas para trás aos dois anos, por não viverem boas interações e vínculos parentais. Esse atraso se reproduz na escola e, com isso, as vulnerabilidades aumentam. A Base vem trazer uma unidade para que a educação infantil possa dar um passo à frente no sentido de fazer a sua parte nessa educação plena da criança. No entanto, alguns aspectos ainda são falhos nesse documento, que precisam de ajuste para alcançar os objetivos esperados. Existe uma resistência evidente de alguns grupos com relação à Base Nacional, mas, para Claudia, “mudanças exigem perdas e muitas pessoas querem evitá-las. É aí que se dá o fracasso.” A especialista acredita que os secretários de educação terão de se conscientizar da importância de traduzir a Base Comum para os currículos municipais. Será o momento para avaliar o que é específico do município, envolver os professores e até os pais no processo e verificar o que falta na formação, estrutura, materiais de apoio ao professor, brinquedos e mobiliário apropriado para as salas. Saiba mais, conferindo a entrevista que Claudia concedeu ao blog. Clique aqui.
    Jennifer Guevara, pesquisadora associada do Programa de Educação do Centro de Implementácion de Políticas Públicas para la Edquidad e el Crecimiento, apresentou as reflexões de uma pesquisa realizada em parceria com a Fundação Maria Cecilia para entender bases curriculares focadas na primeira infância de outros países cujos resultados nessa fase do ensino se mostraram positivos. A pesquisa analisou os casos da Argentina, do Canadá (Ontário), da Holanda, Suécia e do Chile com o objetivo, à época, de ter subsídios para contribuir à elaboração da BNCC no Brasil. O primeiro aspecto percebido pela equipe é que para entender e se desenhar uma Base é essencial compreender o momento em que ela está sendo implementada, porque o documento não pode ficar à margem do contexto das políticas públicas de educação, saúde e assistência social de primeira infância. Também é importante que seja analisada à luz da situação da oferta desse serviço e os desafios enfrentados naquele momento pelas nações. Também se percebeu que a Base é criada conforme a resposta dada à pergunta-chave: O que queremos atingir com a educação infantil? Outro aspecto que favorece o sucesso da construção e implementação da Base é a participação da sociedade, desde as famílias e os professores até as universidades, lideranças e os gestores públicos.

    Carolina Larriera – “Liderança para o impacto positivo”
    A especialista em treinamento de lideranças, com atuação no Brasil, EUA, Argentina, Suíça, Iraque e Timor-Leste, falou das lideranças adaptativas. Ou seja, aquelas que, de acordo com o contexto histórico e social dos países, precisam rever sua atuação, atendendo às novas necessidades da população. Carolina partiu de sua experiência no Timor-Leste, em que os guerrilheiros, tão essenciais ao processo de independência daquele país, quando venceram essa batalha e elegeram um presidente local, perderam a sua identidade e o reconhecimento popular. Como preparar essas lideranças para outro tempo, de conquistas diferentes? Para ela, lideranças que querem gerar transformações reais e positivas precisam se libertar das expectativas que as pessoas fazem delas e romper com padrões improdutivos, revendo antigos e ultrapassados processos. Ela lembra que liderança não é uma questão de posição, porque qualquer pessoa pode exercê-la. O Marco Legal da Primeira Infância, por exemplo, estabelece um novo momento. “Só fazer a lei não resolve nada. Foi um processo bem complexo que requer pensar em como vai ser sua implementação, quem vai falar com quem, como lidar com questões territoriais, integrações de governos… Enfim, temos de mudar comportamentos e saber como as partes vão interagir entre si”, alerta a especialista.

    Eduardo Queiroz, Diretor-Presidente da Fundação Maria Cecilia, encerrou o evento, fazendo uma retrospectiva dos temas e bases das discussões. Essa fala, bem completa e conclusiva, você pode acessar, assistindo ao vídeo aqui.

    Para ver todas palestras, uma seguida da outra, você também pode clicar aqui.

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  • Quais vantagens as creches da sua cidade oferecem às crianças e suas famílias?

    Quais vantagens as creches da sua cidade oferecem às crianças e suas famílias?

    No artigo de hoje, vamos refletir sobre o que as famílias observam como vantagens de ter seus filhos frequentando esse espaço educativo. Olhar para tais pontos pode influenciar positivamente as decisões de gestores públicos na elaboração de políticas e primeira infância.

    Quando perguntados quais seriam os pontos positivos de a criança frequentar a creche, como parte da pesquisa “Primeiríssima infância Creche – Necessidades e Interesses de Famílias e Crianças”, os três aspectos mais citados pelos pais ou responsáveis foram:
    • convívio com outras crianças (52%)
    • acompanhamento de profissionais especializados (47%)
    • acesso a atividades diversas (46%)

    Para a enfermeira Anna Chiesa, participante do grupo de especialistas que analisou os resultados da pesquisa, o primeiro item talvez demonstre certa falta de clareza dos familiares sobre o sentido da creche: “É estranho que na faixa de zero a três anos a vantagem mais percebida seja a da convivência com outras crianças. Como regra, sabe-se que essa não é uma necessidade da criança até os dois anos.”

    Com relação ao segundo item, a análise dos especialistas mostra, por um lado, ser uma percepção positiva, porque os pais reconhecem a importância de o profissional ter uma formação adequada. Por outro lado, também questionam se essa valorização acentuada não estaria, de alguma forma, colocando nas mãos do profissional responsabilidades que precisam ser compartilhadas entre família e escola. Por isso, criar estratégias de aproximação entre as duas instituições não só trará benefícios à criança, mas, também, ampliará o mútuo conhecimento: a creche vais saber mais sobre a realidade das famílias e as famílias conhecerão melhor o papel e potencial da creche para o bom desenvolvimento de seus filhos.

    De qualquer forma, gestores municipais e formuladores de políticas públicas de primeira infância precisam colocar o tema capacitação dentre as prioridades da educação infantil, inclusive para que os profissionais sejam devidamente preparados, contribuindo a essa aproximação integrada e participativa.

    “A formação tem de ser um pouco diferente daquela que é acadêmica ou só intelectual”, recomenda o especialista Vital Didonet. “Estudar ajuda, conhecimento é importante, mas é fundamental que a atuação do professor seja acompanhada de uma visão humanista das relações”, explica.

    Para Claudia Costin, o pulo do gato está em aplicar o que já acontece com professores de outras etapas da educação básica: “(…) dedicar um terço do tempo dos professores para o estudo a partir da prática.”

    Para que tudo isso aconteça, prefeitos e secretários de educação municipais têm a responsabilidade de garantir essa formação em serviço e a continuada, um investimento que, se bem feito, certamente trará mais qualidade ao serviço oferecido pela rede de creches do município.

    No próximo artigo da série, vamos falar sobre as desvantagens de colocar a criança na creche, segundo a visão das famílias. Enquanto isso, aproveite para ler ou reler o primeiro artigo da série #CrecheMelhor: tem idade certa para frequentar a creche?

    Se quiser conhecer a pesquisa “Primeiríssima infância Creche – Necessidades e Interesses de Famílias e Crianças”, é só clicar aqui.

  • #CrecheMelhor: Tem idade certa para frequentar a creche?

    #CrecheMelhor: Tem idade certa para frequentar a creche?

    Este é um tema ainda complexo na realidade brasileira. Enquanto já se sabe sobre a importância da creche na vida de crianças e de suas famílias, temos consciência de que ainda não conseguimos vagas suficientes para atender os pequenos de zero a três anos que precisam frequentar esse espaço educativo, muito menos a qualidade necessária para que todos sejam promotores de uma primeira infância mais saudável – e não ao contrário, tornando-se prejudiciais a ela.

    No entanto, para se responder à questão proposta, precisamos olhar os diferentes contextos da criança:

    • Se ela vive em um ambiente de vulnerabilidade (violência social, violência doméstica, violência sexual, pais ou adultos responsáveis dependentes químicos etc.), ir para a creche, desde bebê, pode fazer diferença positiva.
    • Se a criança vive em situação de vulnerabilidade (como pobreza e violência na comunidade), mas tem uma família que a acolhe, pais ou adultos responsáveis que estabelecem bons vínculos e a estimula para que se desenvolva, ficar em casa, segundo alguns especialistas, é uma opção saudável. Nesses casos, eles recomendam que a criança vá para a creche após 1 ano, 1 ano e meio.
    • Embora seja obrigação do Estado garantir vagas em creches também para bebês, muitos especialistas defendem que, salvo necessidades extremas da família ou as tais situações críticas, é desaconselhável colocar crianças antes de um ano nas creches. Isto porque, atualmente, esses espaços, em grande parte, não apresentam infraestrutura e pessoal devidamente preparado para acolher bebês e atendê-los com a atenção necessária.
    • Crianças a partir dos 2 anos são as que, para boa parte dos especialistas, aproveitam melhor as oportunidades dadas pelas creches. Linguagem, trocas, convivência, criatividade… Aspectos que são trabalhados e fortalecidos mais explicitamente a partir dessa fase do desenvolvimento infantil. Crianças que não frequentam creches, se menos estimuladas em casa, podem perder ótimas oportunidades de aprendizagem nesse período.
    • Ficar em casa com adultos afetivos, irmãos que ajudam a estabelecer relações, num ambiente sadio, é muito bom para a criança. Se ela não tem essa vivência, a creche pode ajudá-la a construir o que em casa ela não vivencia e que é essencial para seu desenvolvimento.

    No Brasil, de acordo com a pesquisa “Primeiríssima Infância Creche – Necessidades e interesses de famílias e crianças”, os bebês (até seis meses) formam um grupo pequeno que frequenta creches.

    Esse dado pode ser reflexo da licença-maternidade de mães que trabalham com carteira assinada e que acabam emendando as férias para ampliar o tempo de permanência com o filho – e, provavelmente, da amamentação (fator importante para a criança, não só sob o aspecto nutricional como, especialmente, para o fortalecimento do vínculo). As famílias que moram na área rural, com renda de até 5 salários mínimos (SM), são as que mais usam o serviço para seus bebês de até 6 meses. Um possível indicativo de que essas mães trabalham sem carteira assinada e não têm como ficar com seus filhos.

    Já crianças entre 1 e 2 anos e meio são a maioria que frequenta a creche, segundo a pesquisa. Os pais ou responsáveis que vivem nas capitais e entorno, com renda até 5 SM, usufruem mais do benefício nessa fase da infância.

    A partir dos três anos, famílias que vivem no interior, mas em centros urbanos, e que possuem renda de até 5 SM, formam o grupo maior de beneficiários das creches públicas ou privadas.

    Diante desse cenário, o gestor público tem de estar atento às necessidades das famílias de seu município, assim como realizar campanhas de conscientização sobre a importância da creche para a primeira infância. Obviamente, o gestor municipal precisa aplicar recursos na rede para dar condições a esses espaços educativos a fim de que acolham e favoreçam o bom desenvolvimento infantil, especialmente de crianças em situações de vulnerabilidade social.

    Ao mesmo tempo, é importante que analise as realidades dos núcleos familiares para entender que ações tendem a favorecer a criação de vínculos e estímulos adequados para que crianças sem vagas nas creches – ou que os pais prefiram que permaneçam em casa – possam também ter oportunidades qualificadas de desenvolvimento.

    Outra preocupação deve ser a de ampliar a interação entre escola e famílias, inclusive envolvendo outros adultos de referência, como avôs, tios, para participar de decisões e melhorias nas creches, contribuindo ativamente ao desenvolvimento da criança.

    Não perca o próximo artigo da série #CrecheMelhor, tema que vamos focar no blog.

    Para conhecer os dados da pesquisa “Primeiríssima Infância Creche – Necessidades e interesses de famílias e crianças”, lançada pela Fundação Maria Cecilia e Ibope em novembro de 2017, é só clicar aqui.

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    Muitas crianças ficam em casa no lugar de frequentar creches. Isto impacta o desenvolvimento?

    Dados mundiais apontam que melhor desempenho escolar começa na creche

  • Educação Infantil é amor e muito mais

    Educação Infantil é amor e muito mais

    O evento Educação 360º – Educação Infantil, que aconteceu em junho de 2016, na cidade do Rio de Janeiro, reuniu especialistas daqui e do mundo para debater o tema.

    FMCSV_0546Pinçamos alguns conceitos, entre tantos importantes, para orientar as nossas práticas com a criança.
    Uma delas é que creches sem qualidade prejudicam os pequenos. É melhor que eles fiquem em casa com um adulto referência, ou seja, aquele que convive e se relaciona cotidianamente com as crianças. Essa conclusão é de um dos palestrantes do evento, Daniel Santos, economista da USP e membro do Núcleo Ciência pela Infância (NCPI).

    Segundo Beatriz Ferraz, gerente de educação infantil da FMCSV, “pesquisas de neurociência comprovam que é nos três primeiros anos de vida que o ser humano alcança o ápice do aprendizado de capacidades como linguagem, memória e atenção, importantes para a vida toda“. Por isso a importância da qualidade na educação infantil.

    Daniel também ressaltou que essa qualidade precisa passar pelo afeto, pelo amor. “Sabemos que o desenvolvimento infantil está ligado à vivência de bons estímulos, aos vínculos que a criança estabelece com adultos e com os colegas. Nesse vínculo, há um componente afetivo, o amor, que ajuda a criança a se sentir segura”.

    Já Alejandra Meraz Velasco, do movimento Todos Pela Educação, lembrou, durante o debate, que os impactos dessa fase podem se estender à renda futura de crianças, evitando que muitas se envolvam com crimes e violência.

    Mas o que precisa ter na creche para que a criança receba tudo o que necessita ao seu bom desenvolvimento?

    1. Bons estímulos e muitas brincadeiras
    2. Afeto e vínculo com os educadores e outras crianças
    3. Espaço, brinquedos e livros
    4. Um bom e estruturado projeto pedagógico
    5. Preservação da autonomia e individualidade da criança
    6. Quantidade e qualidade de educadores
    7. Convivência e inclusão

    Agora é com você: o que mais também é importante garantir na educação infantil?

    *Fontes: Revista Crescer e BBC Brasil

    Leia mais

    As 5 fragilidades e as 5 qualidades da educação infantil brasileira

    Por que ainda não conseguimos acolher todas as crianças na educação infantil?

  • Uma base curricular que promova a equidade e a qualidade da educação

    Uma base curricular que promova a equidade e a qualidade da educação

    Para cumprir esse objetivo, era preciso escutar a população.

    A construção dos documentos sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi aberta à participação da sociedade, ou seja, professores, políticos, acadêmicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil, universidades e todos que têm interesse no tema.

    Para detectar e analisar as opiniões, o Cenpec (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) realizou a pesquisa “Consensos e Dissensos sobre a Base Nacional Comum Curricular” durante os anos de 2013 e 2014, com 102 pessoas envolvidas no campo do debate educacional.

    O estudo identificou que os entrevistados que são críticos à criação de uma BNCC estão predominantemente na esfera universitária e possuem forte participação sobre as decisões da política educacional. Também fazem parte desse grupo, os diretores de escolas privadas de elite, além de alguns sindicalistas de perfil mais influente. Dentre os pontos levantados por esse grupo, destacaram-se:

    • Entendem que já existe um currículo nacional a partir dos documentos oficiais como as Diretrizes Curriculares e os Parâmetros Curriculares; é preciso garantir condições materiais para sua implementação.
    • A BNCC é um mecanismo de homogeneização/padronização que reproduz a exclusão social escolar e impõe identidades.
    • Se for existir uma padronização curricular, ela deve ser um núcleo mínimo que deve ter acrescido conteúdos da diversidade.
    • Entendem que fere a autonomia do trabalho do professor.

    Os principais argumentos de quem é a favor, ou seja, professores da educação básica, diretores e gestores e representantes da sociedade civil, são:

    • Garantia do mesmo ensino para todos, com definição federal de conteúdos universais.
    • Os grupos dominados/ excluídos têm o direito de integrar-se à sociedade.
    • A favor, desde que haja respeito às diversidades culturais. Garantia de que os conteúdos devem ser estabelecidos nacionalmente, com complementação local.

    Mas os pesquisadores também identificaram que muitas pessoas ainda não têm clareza do que é uma Base Nacional Comum Curricular ou mesmo qual a definição do que é um currículo. Conforme relatado nas conclusões da pesquisa, é comum um mesmo entrevistado iniciar a entrevista usando um determinado significado e terminá-la usando outro.

    Na apresentação do estudo há outros dados bem interessantes como posições acerca de quem deve participar da elaboração da BNCC, como ela deve ser construída e quais são os impactos esperados na qualidade da educação com sua implementação. Por isso, vale conhecê-la na íntegra, clicando aqui.

    A Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal também vem participando do debate em torno da construção da Base Nacional Comum Curricular da Educação Infantil. Para a gerente de projetos da Fundação, Beatriz Ferraz, a Base é um instrumento fundamental para dar transparência e clareza a todas as redes de ensino sobre o que cada criança deve e tem o direito de aprender, o que por sua vez é um componente essencial para a qualidade e equidade da educação infantil.

    Nesse contexto, a Fundação é parceira do Movimento pela Base Nacional da Educação Básica e lidera um Grupo de trabalho (GT) sobre a Base da Educação Infantil junto a outros institutos e organizações como o Todos pela Educação, Instituto Sonho Grande e o Instituto Singularidades.

    “Entendemos que a Base tem um potencial para influenciar a construção de currículos e propostas pedagógicas adequados e bem estruturados, contribuindo para um planejamento e uma ação intencional do professor ao organizar e propiciar diferentes experiências para as crianças. Esses aspectos são indicados nas pesquisas como evidências de resultados de qualidade nas instituições de educação infantil e na promoção do desenvolvimento pleno das crianças”, diz Beatriz.

    Para conhecer melhor a leitura crítica que o GT de Educação Infantil do Movimento pela Base tem, você pode assistir a apresentação de Beatriz Ferraz, na Câmara dos deputados, clicando aqui.

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    7 ações que fortalecem a educação infantil, segundo Claudia Costin

    Educação infantil é amor e muito mais

  • 7 ações que fortalecem a educação infantil , segundo Claudia Costin

    7 ações que fortalecem a educação infantil , segundo Claudia Costin

    Fundação Maria Cecília Souto Vidigal – Claudia, atuando no Banco Mundial, tendo contato com tantas realidades, como você avalia a forma como o tema da educação infantil tem sido tratado pelo mundo?
    Claudia Costin – Vivemos um momento de uma importância particular. Em setembro de 2015, a ONU definiu os objetivos para o desenvolvimento sustentável (ODS), a serem alcançados em 2030. Um deles, o ODS4, sobre educação, tem um subitem específico (4.2) para a educação infantil, indicando que até 2030 asseguremos a todas as crianças acesso ao desenvolvimento da Primeira Infância, ao cuidado e à educação de qualidade, preparando-as para sua trajetória na educação básica. Essa meta também está relacionada a uma meta da saúde, a redução da desnutrição infantil crônica (meta 2.2) em até 40%, porque já se sabe que a desnutrição, especialmente nos primeiros mil dias de vida, causa danos incalculáveis ao desenvolvimento e, consequentemente, à aprendizagem. Hoje temos cerca de 159 milhões de crianças no mundo com desnutrição severa. Também já é fato que não bastam a alimentação e os estímulos cognitivos para uma arquitetura do cérebro saudável. O vínculo, o afeto, um ambiente favorável, o acolhimento têm influências extremamente positivas na vida adulta e na aprendizagem. Pelo que tenho visto e pesquisado pelo mundo, os programas que enfatizam a nutrição, a estimulação precoce e o vínculo combinados são os que mais dão certo para a Primeira Infância.

    FMCSV – Ou seja, crianças expostas a situações de vulnerabilidade extrema podem ter a aprendizagem prejudicada.
    CC – Sim. A criança submetida ao estresse tóxico na Primeira Infância pode interpretar a sala de aula, como bem mostra Paul Tough em seu livro recém lançado, Helping Children Succeed, como um território inimigo, de confrontos e conflitos. Nem sempre o professor está preparado para entender a situação e, por desconhecimento, acaba, por vezes, com sua conduta, reforçando a ideia de que é mesmo um ambiente hostil. Daí uma parte da violência escolar emerge.

    FMCSV – Na cidade do Rio de Janeiro, como Secretária da Educação (2009-2014), qual foi seu maior desafio?
    CC – O desafio mais visível era a falta de vagas nas creches. O prefeito tinha se comprometido a aumentá-las consideravelmente, mas essa ampliação teria de garantir qualidade também. Pesquisas indicam que creches sem qualidade fazem mal à criança. É melhor ela ficar com um adulto de referência, em casa, do que frequentar um espaço educativo ruim. A população do Rio de Janeiro é muito grande e iniciativas como esta requerem um trabalho articulado, porque quanto mais vagas são criadas, mais aumenta a demanda. Por isso, para que a mudança acontecesse com equilíbrio, seguimos um princípio básico para definir as ações, o da expansão com qualidade e equidade.

    FMCSV – Você pode enumerar quais ações foram realizadas?
    CC – Realizamos sete grandes ações na educação infantil, juntamente com a fantástica equipe de educadores do município:
    1. Colocamos, progressivamente, professores nas creches. Já havia a figura do professor articulador, que exercia o papel de coordenador pedagógico. Mas boa parte da atenção à criança na creche era exercida pelo agente auxiliar, um profissional concursado que tinha apenas, como exigência para o cargo, o Ensino Fundamental completo. Por isso, oferecemos o curso de Magistério a todos os auxiliares de creches que quiseram cursá-lo e, em seguida, abrimos concurso público para professor de Educação Infantil, cargo que criamos para esta importante etapa. Os que passaram foram nomeados professores, junto aos novos profissionais aprovados no certame. O objetivo era ter um professor em cada sala.

    2. Construímos prédios pensados para esta etapa tirando as crianças pequenas, de 4 e 5 anos, das escolas grandes, com alunos adolescentes. Criamos os EDIs (Espaços de Desenvolvimento Infantil) com tudo o que é necessário para favorecer o desenvolvimento da criança e o trabalho dos educadores, com espaços abertos, livros em todas as salas, que foram desenhadas seguindo algumas ideias da proposta Montessoriana, dentre outros recursos focados na Primeira Infância. Construímos cerca de 150 EDIs com 150 crianças em média em cada uma. Nessa época, a área de Saúde do município também passava por reformulações para criar as Clínicas de Saúde da Família (postos de atendimento). Sugerimos que fossem construídas junto às EDIs. Essa iniciativa permitiu mais integração entre as áreas, além de facilitar as vacinações, as consultas ao pediatra, as orientações para os pais sobre a saúde e bem-estar de seus filhos.

    3. Priorizamos o acesso à população de baixa renda. Por isso, direcionamos as vagas a crianças de famílias cadastradas no Programa Bolsa Família, alunos que, sem essa oportunidade, podem ter menos chance de sucesso na escola e na vida.

    4. Adotamos um currículo de educação infantil, inspirando-nos nos parâmetros curriculares que já existiam, mas indo além, definindo expectativas de aprendizagem para as crianças menores, o que facilitou o planejamento para a aquisição de materiais, a capacitação dos professores, a estruturação da carga horária, centrada em um brincar mais solto e livre, mas com intencionalidade pedagógica clara.

    5. Abrimos os EDIs aos pais de crianças que não tinham conseguido vagas nas creches ou que optaram por não levar seus filhos à escola. Três sábados por mês eles se reuniam para participar de cursos ministrados por profissionais da educação, da saúde e da assistência social. Recebiam orientações de como estimular as crianças, ler para elas, como cuidar de bebês, sobre a importância do vínculo. Cada espaço aberto ao Curso de Pais contava com uma biblioteca circulante de livros de bebês e os pais eram orientados a como ler com os filhos (mesmo que eventualmente iletrados) e a como fazer da leitura um momento afetivo para a família.

    6. Criamos uma transição mais suave da pré-escola para o primeiro ano de alfabetização, trabalhando a consciência fonética, intensificando a leitura e a presença dos livros na sala. Passamos também a organizar uma semana de alfabetização, a cada ano, reunindo professores de educação infantil e os do 1º ao 3º ano para criar essa continuidade.

    7. Investimos em avaliação para permitir melhoria contínua da Educação Infantil, seja a avaliação do desenvolvimento da criança, por meio dos cadernos de registros para que pais e professores pudessem acompanhar a sua evolução, como a avaliação institucional, do trabalho do EDI. Também monitoramos o desenvolvimento das crianças, durante três anos, por meio de uma pesquisa estruturada pelo economista Ricardo Paes de Barros. Treinamos os educadores para fazer esse acompanhamento e foi bem interessante porque pudemos aperfeiçoar e desenvolver atividades melhores para os EDIs.

    Na segunda parte desta entrevista, Claudia Costin vai analisar os cinco pontos fortes e os cinco pontos frágeis da educação infantil brasileira. Por isso, continue nos acompanhando. Vale lembrar que Claudia será uma das palestrantes do evento “Educação 360º – Educação Infantil”, dia 30 de junho de 2016.

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  • Base Nacional Comum Curricular: o que podemos aprender com outros países

    Base Nacional Comum Curricular: o que podemos aprender com outros países

    Recém-aprovada, a Base Nacional começará a valer em 2019. Nela também estão contidas as orientações sobre a educação infantil. Para nós, essa implementação é uma novidade que traz muitos desafios. No entanto, podemos enfrentá-los olhando para o que já foi feito e aprendendo com quem já passou por esse processo.

    Mesmo tendo alguns aspectos que não são ideais, a Base Nacional, aprovada em 15 de dezembro, é um ponto de partida para a busca de equidade e qualidade da educação pública brasileira. Mas nosso país não está inventando a roda. Várias nações já adotaram uma base que unifica o que os estudantes, em cada etapa da aprendizagem, precisam aprender.

    Com o objetivo de contribuir à reflexão sobre a maneira como vamos colocar em prática essa teoria, amplamente discutida com a sociedade, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal convidou o Centro de Implementación de Políticas Públicas para la Equidad y el Crecimiento (CIPPEC) para realizar uma análise bem detalhada de como são e foram aplicadas as bases curriculares de diferentes países. O resultado desse estudo é a publicação “Bases Curriculares Internacionais para a Educação Infantil”, que reúne dados e informações sobre boas práticas curriculares para a educação infantil, da Argentina, Canadá (Ontário), Chile, Escócia, Nova Zelândia, Singapura e Suécia.

    Nas páginas do documento, estão descritas as comparações dessas realidades, identificando como as nações estruturaram os documentos curriculares, as abordagens pedagógicas, a formação inicial e continuada de professores e profissionais e, por fim, como implementaram e monitoraram as bases para que se tornassem bem-sucedidas.

    Nosso propósito, com esse estudo, é contribuir à necessária mobilização de gestores públicos, academia, profissionais, organizações do terceiro setor e a sociedade no processo de implementação da Base Nacional Comum Curricular para a educação infantil a fim de que seja o ponto de partida a uma educação infantil que favoreça o desenvolvimento pleno da criança.

    Acesse o documento completo e faça o download. É só clicar aqui!

  • O perigo da eletricidade para crianças

    O perigo da eletricidade para crianças

    perigo da eletricidade para bebês e crianças

    Fios desencapados, tomadas desprotegidas… Estes são alguns inimigos ocultos que convivem com muitas crianças. Precisamos zerar o número de acidentes causados por esse descuido que inclusive pode afetar o desenvolvimento motor da criança.

    A revista Crescer publicou uma matéria que nos alerta para algo comum e que, muitas vezes, passa despercebido: os cuidados com a eletricidade para proteger os pequenos.

    Muitas famílias não se detêm a alguns detalhes que fazem diferença na segurança de suas casas. Por isso, precisamos orientá-las, já que o número de mortes por esse tipo de acidente aumentou.

    Em 2015, 32 crianças brasileiras de zero a cinco anos foram vítimas fatais de acidentes envolvendo eletricidade, 50% a mais do que em 2014, quando aconteceram 20 mortes por choque elétrico nessa faixa etária.

    Prevenção e Educação

    A eletricidade é uma parte essencial da nossa vida moderna, mas também pode representar um perigo significativo, especialmente para crianças curiosas e em fase de descoberta.

    É fundamental que os pais, cuidadores e educadores compreendam os riscos elétricos e tomem medidas preventivas para manter as crianças seguras. Discutiremos os perigos da eletricidade para as crianças e ofereceremos orientações sobre como prevenir acidentes elétricos.

    Os Perigos da Eletricidade

    A eletricidade é uma forma de energia que flui através de fios e circuitos elétricos. Quando bem controlada, ela é segura e útil em nossas vidas cotidianas. No entanto, se mal utilizada ou se tornar objeto de curiosidade infantil, a eletricidade pode causar sérios ferimentos e até mesmo ser fatal. Aqui estão alguns dos principais perigos da eletricidade para crianças:

    Choque Elétrico

    O choque elétrico ocorre quando uma corrente elétrica passa pelo corpo de uma pessoa. As crianças são particularmente vulneráveis a choques elétricos, pois têm uma pele mais fina e menos resistência do que os adultos. Os choques elétricos podem variar de leves a graves e podem causar queimaduras, danos aos órgãos internos e parada cardíaca.

    Queimaduras

    O contato com fios elétricos expostos, tomadas ou aparelhos elétricos danificados pode causar queimaduras na pele das crianças. As queimaduras elétricas podem ser profundas e dolorosas, exigindo tratamento médico.

    Incêndios

    Crianças que brincam com fios elétricos ou objetos inflamáveis próximos a fontes de eletricidade aumentam o risco de incêndios. Um curto-circuito ou superaquecimento de aparelhos elétricos pode facilmente causar um incêndio em casa.

    Lesões por Arco Elétrico

    O arco elétrico é uma explosão de energia que ocorre quando há um curto-circuito. Pode causar lesões graves, incluindo queimaduras, perda de visão e surdez temporária.

    Prevenção de Acidentes Elétricos

    A prevenção de acidentes elétricos envolve a conscientização das crianças sobre os perigos da eletricidade e a criação de um ambiente seguro em casa e em outros lugares. Aqui estão algumas medidas essenciais de prevenção:

    1. Educação: Ensine às crianças, desde cedo, os perigos da eletricidade. Explique que não devem mexer em tomadas, fios ou aparelhos elétricos.

    2. Proteção de Tomadas: Use protetores de tomadas para cobrir todas as tomadas elétricas ao alcance das crianças.

    3. Fios e Cabos: Mantenha fios e cabos elétricos fora do alcance das crianças e use organizadores de cabos para evitar que eles se tornem emaranhados.

    4. Aparelhos Elétricos: Desconecte aparelhos elétricos quando não estiverem em uso e armazene os fios de extensão de forma organizada.

    5. À Prova d’Água: Mantenha aparelhos eletrônicos, como rádios e celulares, longe de áreas molhadas, como banheiras e pias.

    6. Brinquedos Seguros: Verifique se os brinquedos elétricos possuem certificações de segurança e siga as instruções de uso.

    7. Supervisão: Mantenha um olhar atento sobre as crianças quando estiverem perto de eletricidade. Não permita que brinquem com interruptores ou aparelhos elétricos sem supervisão.

    8. Manutenção: Faça manutenção regular em sua fiação elétrica e substitua qualquer cabo ou aparelho danificado.

    9. Rotulagem: Rotule os disjuntores e interruptores de luz para que todos na casa saibam como desligar a eletricidade em caso de emergência.

    10. Plano de Emergência: Tenha um plano de ação em caso de acidentes elétricos e saiba como desligar a eletricidade em sua casa.

    Mensagem Final

    A eletricidade é uma parte vital de nossas vidas, mas seu uso inadequado pode ser perigoso, especialmente para crianças.

    Educar as crianças sobre os perigos elétricos e tomar medidas preventivas é essencial para manter um ambiente seguro em casa e em outros lugares.

    Lembre-se de que a supervisão e a educação contínua são cruciais para garantir a segurança das crianças em relação à eletricidade.

    Leia a matéria completa sobre o tema, clicando aqui, e compartilhe esses cuidados com os pais.

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